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Venha a nós o teu reino


Venha a nós o teu reino
“A palavra “reino” do grego “basileuo” significa soberania, poder, domínio, regimento. Refere-se à esfera de governo. Ao falarmos do Reino de Deus, estamos falando do direito que Deus tem de governar sobre Sua criação, visível e invisível, material e espiritual. Este é seu direito como criador e redentor”.[1]
O Reino de Deus na terra, pode ser ilustrado claramente através do processo antigo de colonização, como se deu em nosso país.
O descobrimento do Brasil deve ser entendido dentro do contexto das Grandes Navegações e Descobrimentos Marítimos. Dos séculos XV e XVI. Portugal e Espanha eram as nações mais poderosas do mundo e se lançaram ao mar em busca de novas terras para explorar. Usavam também o mar como rota para chegar as Índias, grande centro comercial da época, onde compravam especiarias (temperos, tecidos, joias) para revender na Europa com alta lucratividade. O Brasil foi descoberto em 22 de abril de 1500 e o rei de Portugal, na época, era D. Manuel I, também chamado de "O Venturoso", pois levou Portugal a um dos períodos mais prósperos de sua história, ao investir na exploração ultramarina. Nesta data as caravelas da esquadra portuguesa, comandada por Pedro Álvares Cabral, chegaram ao litoral sul do atual estado da Bahia, no monte batizado de Monte Pascoal. Porém, os portugueses não foram os primeiros a encontrar nosso país, não podemos esquecer da presença de mais de cinco milhões de indígenas, divididos em várias tribos, que já habitavam o Brasil muito tempo antes da chegada dos portugueses. Portanto, muitos historiadores preferem falar em “Chegada dos Portugueses ao Brasil”. Desta forma é valorizada a presença dos nativos brasileiros no território. Diante deste contexto, podemos afirmar que os portugueses descobriram o Brasil para os europeus. Em 24 de abril, dois dias após a chegada, ocorreu o primeiro contato entre os indígenas brasileiros que habitavam a região e os portugueses. De acordo com os relatos da Carta de Pero Vaz de Caminha foi um encontro pacífico e de estranhamento, em função da grande diferença cultural entre estes dois povos. Neste contato houve um “choque de culturas”, estranhamento de ambos os lados. Os portugueses estranharam muito o fato dos índios andarem nus, enquanto os indígenas também estranharam as vestimentas, barbas e as caravelas dos portugueses. No dia 26 de abril, foi celebrada a primeira missa no Brasil, rezada pelo Frei Henrique de Coimbra. Após a missa, a esquadra tomou rumou em direção as Índias, em busca das especiarias. Como acreditavam que a terra descoberta se tratava de uma ilha, a nomearam de Ilha de Vera Cruz (primeiro nome do Brasil).
         Quando um reino alcança outros lugares, o primeiro passo é estabelecer um governo no local através da figura de um governador originário do reino. O primeiro governador-geral escolhido para o Brasil foi Tomé de Sousa, um militar e político português. Tomé de Sousa chegou ao Brasil em 29 de março de 1549, juntamente com soldados, colonos, materiais para se construir a primeira cidade e alguns animais. Tomé de Sousa fundou a cidade de Salvador em 1549, o centro do governo e primeira capital do Brasil, também proporcionou o grande desenvolvimento da agricultura e pecuária na época. Pensando nas possibilidades reais de invasões de piratas estrangeiros e na manutenção do domínio português, o governador-geral distribuiu armas e munições aos colonos e construiu várias fortalezas em áreas estratégicas.
Sendo o reino português de cultura religiosa católica romana, no âmbito religioso, o governo de Tomé de Sousa foi muito marcante. Com ele vieram os primeiros jesuítas e nesse período foi criado o primeiro bispado do Brasil. Os jesuítas, chefiados por Manuel da Nóbrega, começaram a catequizar os índios, criando também o primeiro colégio do Brasil. Além disso, os jesuítas tentavam impor aos portugueses as normas da moral cristã no relacionamento com os indígenas, visto que a escravização dos índios e a exploração sexual das mulheres indígenas era um fato presente na época.
         Durante a colonização do Brasil, houve forte contato entre a cultura do conquistador português e as culturas dos povos indígenas e dos africanos trazidos como escravos. Por causa desse contato, ocorreram modificações tanto na cultura dos europeus recém-chegados – que assimilaram muitos traços culturais dos outros povos – quanto na dos indígenas e africanos, que foram dominados e perderam muitas de suas características. Desse processo de contato e mudança cultural – conhecido como aculturação – resultou a cultura brasileira, oriunda da cultura portuguesa. Quando pessoas de grupos diferentes entram em contato direto e contínuo, geralmente ocorrem mudanças culturais nos grupos, pois verifica-se a transmissão de traços culturais de um povo para outro. Alguns traços são rejeitados; outros são aceitos e ajuntados, quase sempre com mudanças significativas, à cultura resultante. Assim, em nosso país, temos fortes traços da cultura que foi trazida de Portugal, tais como a língua, a escrita, as roupas, alimentação, nomes, costumes e a predominância religiosa. Tais traços, são resultado da cultura que dominou por muito tempo a Europa, pelo império Romano e era conhecida como “romanização”, onde o modo de estabelecer os costumes de Roma era colocado através do envio de pessoas de Roma para os locais conquistados, assim era na época de Jesus, onde os Judeus eram dominados por Roma, e sua cultura era imposta sobre eles.
Dessa forma, ao falarmos do Reino de Deus, ilustrando com os reinos antigos, falamos do estabelecimento de uma cultura diferente na terra. Toda essa história, ilustra o que Jesus fala a respeito do Reino de Deus e sua colonização na terra, Jesus veio como conquistador da terra, estabeleceu seu Reino, estabeleceu seus princípios e enviou um governador para governar a vida de cada pessoa conquistada através da fé em Jesus, trazendo a cultura do Reino dos céus para a terra. A diferença é que o Reino dos céus não traz dominação, mas filiação e liberdade; pois tais traços são oriundos do Reino de Deus, que é um Reino de amor, “ Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Colossenses 1.13 e 14).
O primeiro pedido que Jesus ensina na oração é a respeito do Reino de Deus. Essa é a nossa primeira petição ao Pai, é a primeira coisa que Jesus nos ensina a buscar, sendo nossa prioridade essencial.
Há quatro ofícios distintos de Cristo apresentados nos Evangelhos: Mateus apresenta Jesus como Rei; primeiramente escrito, para os judeus. Ele é o Filho de Davi (descendente real do rei Davi). Sua genealogia real é dada no capítulo 1. Marcos descreve Jesus como Servo; escrito para os romanos, não contém genealogia. Achamos mais milagres em Marcos do que em qualquer outro Evangelho. Lucas mostra Jesus como o Homem perfeito; escrito para os gregos, sua genealogia vai até Adão, o primeiro homem. Como Homem perfeito, vemo-lo constantemente em oração e os anjos o servindo.  João retrata Jesus como Filho de Deus; escrito para todos os que hão de crer, com o propósito de levar os homens a Ele (João 20.31), tudo nesse Evangelho ilustra e demonstra seu relacionamento com Deus, os versículos iniciais nos transportam ao “princípio”.
E orar pedindo o reino de Deus, é nos submetermos a cultura, direção, senhorio do Pai nas nossas vidas. Jesus é aquele que estabeleceu na terra o reino dos céus; assim como no Brasil o reino de Portugal foi estabelecido pelos conquistadores. “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto” (Isaías 9.6 e 7).
O Reino de Deus foi a principal pregação de Jesus: “Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mateus 4.17). “ Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo”. (Mateus 4.23). “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5.3). Mateus 4.17:  “Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.” Mateus 4.23:   “Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo”. Mateus5.3:  “ Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus”. Em Mateus 6.10 na oração ele pediu:  “ venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu“ , Mateus 6.13: “  e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal [pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém]!”. Mateus 6.33:  “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Mateus7.21:   “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.”
Jesus ensinou sobre o reino, essa foi a sua pregação, porém esse reino de Deus tem seu estabelecimento total no reino milenar de Cristo, após a tribulação, mas sua cultura, salvação, perdão de pecados e linguagem precisam chegar a cada língua, povo e nação dessa terra. E, como o Brasil era parte do reino de Portugal e recebeu um governador português, Jesus enviou um governador para trazer a linguagem e a cultura do  reino do céu na terra, que é o Espírito Santo, fazendo com que a igreja seja parte do reino dos céus, porém na terra.
O princípio do reino de Deus, é um reino de príncipes, filhos do Rei, que têm o Espírito do Pai, diferente do reino humano que estabelece a colonização de territórios, o reino de Deus coloniza indivíduos e acultura cada um pelo governo do Espírito Santo, tornando-os seus filhos. Cada pessoa alcançada sai, é liberta do reino de Satanás e passa a pertencer ao reino do “Filho de seu amor”, o reino de Jesus. Quando Jesus designou os setenta que o precedessem mandou-os anunciar que o Reino de Deus estava próximo, curar os enfermos e expulsar os demônios, pois o Rei estava chegando para colonizar, conquistar, salvar cada vida que o recebesse ( Lc 10.1-20).
Ele veio para nos constituir em geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anunciemos as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;
... que em outro tempo não éramos povo, mas agora somos povo de Deus; que não tínhamos alcançado misericórdia, mas agora alcançamos misericórdia”
, conforme
1 Pedro 2:9,10. Agora, cada um de nós, que é alcançado, leva a cultura, a influência e a linguagem de amor desse reino, colonizando cada pessoa a quem somos enviados, que convivemos. Assim somos conhecidos por nossa cultura e linguagem, não somos mais da terra e sim do céu, e levamos a colonização, que é adoção como filhos de Deus, por onde passamos.
Nossa ideia de missões não se limita apenas a pessoas que vivem integralmente desenvolvendo uma obra missionária em um outro país ou região; entendemos que a transformação e a revolução do Reino de Deus só se tornam prática quando os filhos de Deus se tornam a própria mensagem e expressão de Jesus inseridos nas bases da sociedade de uma cidade ou nação. 
Davi foi um exemplo de filho que herdou um reino, ele cuidava das ovelhas de seu pai Jessé, ele defendia as ovelhas de serem mortas pelo leão e pelo urso, e Deus o escolheu para ser ungido por Samuel para ser rei em Israel em lugar de Saul. A diferença era que Saul tinha a cultura de cuidar das suas próprias coisas e de como preservar a sua reputação diante do povo, fazendo até uma estátua para homenagear a si mesmo, porém nem sequer obedecia a Deus. Mas, Deus viu em Davi, um coração de filho que cuidava dos interesses do seu pai, esse filho olharia para Deus como Pai e cuidaria do povo de Deus, como cuidava das ovelhas de seu pai Jessé, defendendo com a própria vida, não para ser considerado valente, ou ter seu nome ressaltado na história, mas para agradar o coração do Pai Celeste. Deus tem chamado pessoas para se tornarem filhos e reinarem como filhos, assim como Davi, não se preocupando com sua imagem diante dos homens, mas em revelar o cuidado do Pai para com os seus filhos, sua igreja.
O reino de Deus é um reino de filhos, que servem ao Pai por amor, que estão dispostos a lutar pelas coisas do Pai, a fazer a vontade do Pai, a levar o amor de Deus e sua paternidade em seus corações para aqueles que precisam ser colonizados, ou adotados como filhos do Pai de amor, saindo da cultura do mundo, uma cultura de orfandade, para viverem na cultura de filhos. O maior exemplo está em Jesus, pois o que satisfazia sua fome era “fazer a vontade do Pai” (João 4.34). Um filho trabalha por amor, e recebe suas recompensas no amor, um escravo serve por obrigação, o reino de Deus é estabelecido por filhos que oram e buscam a manifestação de seu amor na terra e “ que seja feita a vontade do Pai na terra, como é feita nos céus”, é o mesmo Reino do Pai no céu, estendido para terra, os filhos são agentes dessa vontade de Deus sendo manifesta na terra através da oração.

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[1] TORRES, Héctor- Venha o teu Reino; Editora Tempos, 

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