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quinta-feira, 6 de julho de 2017

Venha a nós o teu reino


Venha a nós o teu reino
“A palavra “reino” do grego “basileuo” significa soberania, poder, domínio, regimento. Refere-se à esfera de governo. Ao falarmos do Reino de Deus, estamos falando do direito que Deus tem de governar sobre Sua criação, visível e invisível, material e espiritual. Este é seu direito como criador e redentor”.[1]
O Reino de Deus na terra, pode ser ilustrado claramente através do processo antigo de colonização, como se deu em nosso país.
O descobrimento do Brasil deve ser entendido dentro do contexto das Grandes Navegações e Descobrimentos Marítimos. Dos séculos XV e XVI. Portugal e Espanha eram as nações mais poderosas do mundo e se lançaram ao mar em busca de novas terras para explorar. Usavam também o mar como rota para chegar as Índias, grande centro comercial da época, onde compravam especiarias (temperos, tecidos, joias) para revender na Europa com alta lucratividade. O Brasil foi descoberto em 22 de abril de 1500 e o rei de Portugal, na época, era D. Manuel I, também chamado de "O Venturoso", pois levou Portugal a um dos períodos mais prósperos de sua história, ao investir na exploração ultramarina. Nesta data as caravelas da esquadra portuguesa, comandada por Pedro Álvares Cabral, chegaram ao litoral sul do atual estado da Bahia, no monte batizado de Monte Pascoal. Porém, os portugueses não foram os primeiros a encontrar nosso país, não podemos esquecer da presença de mais de cinco milhões de indígenas, divididos em várias tribos, que já habitavam o Brasil muito tempo antes da chegada dos portugueses. Portanto, muitos historiadores preferem falar em “Chegada dos Portugueses ao Brasil”. Desta forma é valorizada a presença dos nativos brasileiros no território. Diante deste contexto, podemos afirmar que os portugueses descobriram o Brasil para os europeus. Em 24 de abril, dois dias após a chegada, ocorreu o primeiro contato entre os indígenas brasileiros que habitavam a região e os portugueses. De acordo com os relatos da Carta de Pero Vaz de Caminha foi um encontro pacífico e de estranhamento, em função da grande diferença cultural entre estes dois povos. Neste contato houve um “choque de culturas”, estranhamento de ambos os lados. Os portugueses estranharam muito o fato dos índios andarem nus, enquanto os indígenas também estranharam as vestimentas, barbas e as caravelas dos portugueses. No dia 26 de abril, foi celebrada a primeira missa no Brasil, rezada pelo Frei Henrique de Coimbra. Após a missa, a esquadra tomou rumou em direção as Índias, em busca das especiarias. Como acreditavam que a terra descoberta se tratava de uma ilha, a nomearam de Ilha de Vera Cruz (primeiro nome do Brasil).
         Quando um reino alcança outros lugares, o primeiro passo é estabelecer um governo no local através da figura de um governador originário do reino. O primeiro governador-geral escolhido para o Brasil foi Tomé de Sousa, um militar e político português. Tomé de Sousa chegou ao Brasil em 29 de março de 1549, juntamente com soldados, colonos, materiais para se construir a primeira cidade e alguns animais. Tomé de Sousa fundou a cidade de Salvador em 1549, o centro do governo e primeira capital do Brasil, também proporcionou o grande desenvolvimento da agricultura e pecuária na época. Pensando nas possibilidades reais de invasões de piratas estrangeiros e na manutenção do domínio português, o governador-geral distribuiu armas e munições aos colonos e construiu várias fortalezas em áreas estratégicas.
Sendo o reino português de cultura religiosa católica romana, no âmbito religioso, o governo de Tomé de Sousa foi muito marcante. Com ele vieram os primeiros jesuítas e nesse período foi criado o primeiro bispado do Brasil. Os jesuítas, chefiados por Manuel da Nóbrega, começaram a catequizar os índios, criando também o primeiro colégio do Brasil. Além disso, os jesuítas tentavam impor aos portugueses as normas da moral cristã no relacionamento com os indígenas, visto que a escravização dos índios e a exploração sexual das mulheres indígenas era um fato presente na época.
         Durante a colonização do Brasil, houve forte contato entre a cultura do conquistador português e as culturas dos povos indígenas e dos africanos trazidos como escravos. Por causa desse contato, ocorreram modificações tanto na cultura dos europeus recém-chegados – que assimilaram muitos traços culturais dos outros povos – quanto na dos indígenas e africanos, que foram dominados e perderam muitas de suas características. Desse processo de contato e mudança cultural – conhecido como aculturação – resultou a cultura brasileira, oriunda da cultura portuguesa. Quando pessoas de grupos diferentes entram em contato direto e contínuo, geralmente ocorrem mudanças culturais nos grupos, pois verifica-se a transmissão de traços culturais de um povo para outro. Alguns traços são rejeitados; outros são aceitos e ajuntados, quase sempre com mudanças significativas, à cultura resultante. Assim, em nosso país, temos fortes traços da cultura que foi trazida de Portugal, tais como a língua, a escrita, as roupas, alimentação, nomes, costumes e a predominância religiosa. Tais traços, são resultado da cultura que dominou por muito tempo a Europa, pelo império Romano e era conhecida como “romanização”, onde o modo de estabelecer os costumes de Roma era colocado através do envio de pessoas de Roma para os locais conquistados, assim era na época de Jesus, onde os Judeus eram dominados por Roma, e sua cultura era imposta sobre eles.
Dessa forma, ao falarmos do Reino de Deus, ilustrando com os reinos antigos, falamos do estabelecimento de uma cultura diferente na terra. Toda essa história, ilustra o que Jesus fala a respeito do Reino de Deus e sua colonização na terra, Jesus veio como conquistador da terra, estabeleceu seu Reino, estabeleceu seus princípios e enviou um governador para governar a vida de cada pessoa conquistada através da fé em Jesus, trazendo a cultura do Reino dos céus para a terra. A diferença é que o Reino dos céus não traz dominação, mas filiação e liberdade; pois tais traços são oriundos do Reino de Deus, que é um Reino de amor, “ Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Colossenses 1.13 e 14).
O primeiro pedido que Jesus ensina na oração é a respeito do Reino de Deus. Essa é a nossa primeira petição ao Pai, é a primeira coisa que Jesus nos ensina a buscar, sendo nossa prioridade essencial.
Há quatro ofícios distintos de Cristo apresentados nos Evangelhos: Mateus apresenta Jesus como Rei; primeiramente escrito, para os judeus. Ele é o Filho de Davi (descendente real do rei Davi). Sua genealogia real é dada no capítulo 1. Marcos descreve Jesus como Servo; escrito para os romanos, não contém genealogia. Achamos mais milagres em Marcos do que em qualquer outro Evangelho. Lucas mostra Jesus como o Homem perfeito; escrito para os gregos, sua genealogia vai até Adão, o primeiro homem. Como Homem perfeito, vemo-lo constantemente em oração e os anjos o servindo.  João retrata Jesus como Filho de Deus; escrito para todos os que hão de crer, com o propósito de levar os homens a Ele (João 20.31), tudo nesse Evangelho ilustra e demonstra seu relacionamento com Deus, os versículos iniciais nos transportam ao “princípio”.
E orar pedindo o reino de Deus, é nos submetermos a cultura, direção, senhorio do Pai nas nossas vidas. Jesus é aquele que estabeleceu na terra o reino dos céus; assim como no Brasil o reino de Portugal foi estabelecido pelos conquistadores. “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto” (Isaías 9.6 e 7).
O Reino de Deus foi a principal pregação de Jesus: “Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mateus 4.17). “ Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo”. (Mateus 4.23). “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5.3). Mateus 4.17:  “Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.” Mateus 4.23:   “Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo”. Mateus5.3:  “ Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus”. Em Mateus 6.10 na oração ele pediu:  “ venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu“ , Mateus 6.13: “  e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal [pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém]!”. Mateus 6.33:  “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Mateus7.21:   “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.”
Jesus ensinou sobre o reino, essa foi a sua pregação, porém esse reino de Deus tem seu estabelecimento total no reino milenar de Cristo, após a tribulação, mas sua cultura, salvação, perdão de pecados e linguagem precisam chegar a cada língua, povo e nação dessa terra. E, como o Brasil era parte do reino de Portugal e recebeu um governador português, Jesus enviou um governador para trazer a linguagem e a cultura do  reino do céu na terra, que é o Espírito Santo, fazendo com que a igreja seja parte do reino dos céus, porém na terra.
O princípio do reino de Deus, é um reino de príncipes, filhos do Rei, que têm o Espírito do Pai, diferente do reino humano que estabelece a colonização de territórios, o reino de Deus coloniza indivíduos e acultura cada um pelo governo do Espírito Santo, tornando-os seus filhos. Cada pessoa alcançada sai, é liberta do reino de Satanás e passa a pertencer ao reino do “Filho de seu amor”, o reino de Jesus. Quando Jesus designou os setenta que o precedessem mandou-os anunciar que o Reino de Deus estava próximo, curar os enfermos e expulsar os demônios, pois o Rei estava chegando para colonizar, conquistar, salvar cada vida que o recebesse ( Lc 10.1-20).
Ele veio para nos constituir em geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anunciemos as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;
... que em outro tempo não éramos povo, mas agora somos povo de Deus; que não tínhamos alcançado misericórdia, mas agora alcançamos misericórdia”
, conforme
1 Pedro 2:9,10. Agora, cada um de nós, que é alcançado, leva a cultura, a influência e a linguagem de amor desse reino, colonizando cada pessoa a quem somos enviados, que convivemos. Assim somos conhecidos por nossa cultura e linguagem, não somos mais da terra e sim do céu, e levamos a colonização, que é adoção como filhos de Deus, por onde passamos.
Nossa ideia de missões não se limita apenas a pessoas que vivem integralmente desenvolvendo uma obra missionária em um outro país ou região; entendemos que a transformação e a revolução do Reino de Deus só se tornam prática quando os filhos de Deus se tornam a própria mensagem e expressão de Jesus inseridos nas bases da sociedade de uma cidade ou nação. 
Davi foi um exemplo de filho que herdou um reino, ele cuidava das ovelhas de seu pai Jessé, ele defendia as ovelhas de serem mortas pelo leão e pelo urso, e Deus o escolheu para ser ungido por Samuel para ser rei em Israel em lugar de Saul. A diferença era que Saul tinha a cultura de cuidar das suas próprias coisas e de como preservar a sua reputação diante do povo, fazendo até uma estátua para homenagear a si mesmo, porém nem sequer obedecia a Deus. Mas, Deus viu em Davi, um coração de filho que cuidava dos interesses do seu pai, esse filho olharia para Deus como Pai e cuidaria do povo de Deus, como cuidava das ovelhas de seu pai Jessé, defendendo com a própria vida, não para ser considerado valente, ou ter seu nome ressaltado na história, mas para agradar o coração do Pai Celeste. Deus tem chamado pessoas para se tornarem filhos e reinarem como filhos, assim como Davi, não se preocupando com sua imagem diante dos homens, mas em revelar o cuidado do Pai para com os seus filhos, sua igreja.
O reino de Deus é um reino de filhos, que servem ao Pai por amor, que estão dispostos a lutar pelas coisas do Pai, a fazer a vontade do Pai, a levar o amor de Deus e sua paternidade em seus corações para aqueles que precisam ser colonizados, ou adotados como filhos do Pai de amor, saindo da cultura do mundo, uma cultura de orfandade, para viverem na cultura de filhos. O maior exemplo está em Jesus, pois o que satisfazia sua fome era “fazer a vontade do Pai” (João 4.34). Um filho trabalha por amor, e recebe suas recompensas no amor, um escravo serve por obrigação, o reino de Deus é estabelecido por filhos que oram e buscam a manifestação de seu amor na terra e “ que seja feita a vontade do Pai na terra, como é feita nos céus”, é o mesmo Reino do Pai no céu, estendido para terra, os filhos são agentes dessa vontade de Deus sendo manifesta na terra através da oração.













[1] TORRES, Héctor- Venha o teu Reino; Editora Tempos, 

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Série PAI NOSSO. Santificado seja o teu nome


Santificado seja o teu nome
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A primeira expressão que temos na oração do Senhor é a da santidade do nome do Senhor. Essa proclamação de Jesus está intimamente ligada ao terceiro mandamento que diz: “ Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” (Ex 20.7). Porém, santificar o nome do Senhor, não é apenas não tomá-lo em vão, mas mostrar a santidade contida em seu nome. O nome do Senhor, é representado pela palavra hebraica ,  transliterado por IAVÉ ou Javé, porém essa palavra perdeu a pronúncia entre os judeus por causa do zelo pelo terceiro mandamento, e muitas vezes é traduzida para o português como SENHOR, ou em algumas versões “o Eterno”, ou “Jeová”, enfim a raiz desse nome é simplesmente “ Eu Sou”. Foi assim que Deus se apresentou a Moisés, quando ele perguntou seu nome: “Disse Moisés a Deus: Eis que, quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós outros; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros”. (Êxodo 3.13)
Um nome impronunciável que aparece 6.828 vezes no Antigo testamento. O tetragrama do nome de Deus era impronunciável “YHWH”.  Entende-se que o nome de Deus possui apenas consoantes, por isso, ocorreram algumas adaptações para não perder sua identificação. A primeira letra “H” recebeu a vogal “A” a primeira letra do nome “Adonai” A segunda letra “H” recebeu a vogal “E” a primeira letra do nome “Elohim” Ficando deste modo: YaWe. Tanto o nome Adonai como o nome Elohim são nomes atribuídos a Deus. Adonai significa Senhor. Elohim é o plural do nome “EL” que significa Deus, desse modo ELOHIM é plural na forma, o mesmo Deus é Pai, Filho e Espírito Santo, mas singular no significado. O nome de Deus, em sua raiz EU SOU, foi usado por Jesus muitas vezes para se identificar com a pessoa de Deus. Jesus se apresentou como sendo o EU SOU:
Marcos 14:62: “Jesus respondeu:  EU SOU, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu”. João 6:35 :“Declarou-lhes, pois, Jesus:  EU SOU o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede”. João 8:12: ” De novo, lhes falava Jesus, dizendo:  EU SOU a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida”. João 8:24 “Por isso, eu vos disse que morrereis nos vossos pecados; porque, se não crerdes que  EU SOU, morrereis nos vossos pecados”. João 8:28: “Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do Homem, então, sabereis que  EU SOU e que nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou.” João 8:58 Respondeu-lhes Jesus: “Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU”. João 10:7: “Jesus, pois, lhes afirmou de novo: Em verdade, em verdade vos digo:  EU SOU a porta das ovelhas”. João 10:11 “ EU SOU o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas”. João 11:25:” Disse-lhe Jesus:  EU SOU a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.”. João 13:19: “Desde já vos digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais que  EU SOU”. João 14:6: Respondeu-lhe Jesus:  EU SOU o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. Apocalipse 1:8:   “EU SOU o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso”. Apocalipse 1:17: Quando o vi, caí a seus pés como morto. Porém ele pôs sobre mim a mão direita, dizendo: Não temas; EU SOU o primeiro e o último.” Apocalipse 2:23: “Matarei os seus filhos, e todas as igrejas conhecerão que EU SOU aquele que sonda mentes e corações, e vos darei a cada um segundo as vossas obras ”. Apocalipse 21:6: “Disse-me ainda: Tudo está feito.  EU SOU o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida”. Apocalipse 22:13:   EU SOU o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim”. Apocalipse 22:16: ”Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas.  EU SOU a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã”.
Jesus é a expressão da pessoa de Deus na terra, ele é o grande Eu sou.O nome de Deus, nos é revelado no filho Jesus, e esse é o nome sobre todo o nome.

O nome do Senhor revela sua glória

Quando Moisés estava na presença de Deus intercedendo pelo povo de Israel, rogou ao Senhor para ver a sua glória, e Deus o respondeu que lhe mostraria a sua bondade e o seu nome, essa foi a resposta de Deus. A glória de Deus está contida no nome de Deus. “Então ele disse: Rogo-te que me mostres a tua glória. Porém ele disse: Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti, e proclamarei o nome do Senhor diante de ti; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer” (Êxodo 33:18,19), e então no capitulo 34, vemos Deus colocando Moisés entre a fenda de uma rocha, passando com sua glória e ao mesmo tempo proclamando o nome do Senhor, a versão Católica, traduz Êxodo 34. 6 e 7 da seguinte forma: O Senhor passou diante dele, exclamando: "Javé, Javé, Deus compassivo e misericordioso, lento para a cólera, rico em bondade e em fidelidade,
que conserva sua graça até mil gerações, que perdoa a iniquidade, a rebeldia e o pecado, mas não tem por inocente o culpado, porque castiga o pecado dos pais nos filhos e nos filhos de seus filhos, até a terceira e a quarta geração”
(
Êxodo 34:6,7). Percebemos que Deus faz a exclamação de seu nome, a glória de Deus é proclamada por ele, com seu nome dito a Moisés. Gostaria de citar outra versão aqui, do mesmo versículo 6, a Nova Versão Internacional em português traduz: E passou diante de Moisés, proclamando: "Senhor, Senhor, Deus compassivo e misericordioso, paciente, cheio de amor e de fidelidade,
que mantém o seu amor a milhares e perdoa a maldade, a rebelião e o pecado.
(
Êxodo 34:6,7).  A glória do Senhor é revelada em seu nome, que tem as seguintes características:
Deus compassivo - Compadecer é "sofrer com". O termo “compaixão” deriva de duas palavras latinas: “cum” e “patire”. “Cum” significa “com” e “patire” indica “sofrer”, daí que, pela etimologia da palavra, poderemos dizer que a compaixão é a capacidade que uma pessoa tem de sofrer com outra. Ter compaixão significa compartilhar o sofrimento dos outros, é não ser indiferente ao sofrimento deles. Não significa aprovar suas razões, sejam elas boas ou más, porém, ter compaixão é não ter indiferença frente ao sofrimento do outro.  Quando Moisés ouve o nome do Senhor, percebe quem é Deus, pois naquele contexto os nomes revelavam as características das pessoas, e Deus se revela como aquele que sofre os nossos sofrimentos, que sente o que passamos, ele conhece a necessidade, os sofrimentos, os sentimentos e as lutas de cada um de seus filhos.
Misericordioso – Deus é cheio de misericórdia, essa palavra misericórdia vem do latim - derivado de “miserere”– de onde vem a palavra miséria, que se refere à nossa pobreza, e “ cordia” de onde vem a palavra coração, assim, “misericórdia” quer dizer colocar-se na mesma miséria de coração de outra pessoa, está intimamente ligada com a palavra anterior que vimos “ compaixão”. Revelar o nome de Deus como misericordioso, significa que Deus coloca-se nos mesmos sentimentos do homem, ou percebe nossa miséria, nossa pequenez, e se esvazia da sua glória para   ser pequeno como nós, como homem e assume nossa miséria, que é nosso estado de pecadores, assumindo nosso castigo na cruz. O apóstolo Paulo declarou: Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se;
mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz! ”
(Filipenses 2:5-8), essa é a expressão máxima da misericórdia de Deus.
Quando falamos da misericórdia de Deus, falamos da sua disposição em perdoar e nos santificar, afim de sermos filhos dele, que se relacionam com um Pai Amoroso. Para John Wesley, fundador do metodismo, o Filho, Jesus, provou a morte por todos, Deus reconciliou o mundo consigo, não imputando os seus primeiros delitos. Deus concede o perdão dos pecados e a nossa reabilitação à sua graça. A santificação é o fruto imediato da justificação. A justificação implica no que Deus faz por nós em seu filho. Wesley diz em um dos seus sermões: “ É também muito mais fácil admitir, que provar pela escritura, que a justificação é o livramento da acusação produzida contra nós, pela lei: ao menos, se este modo forçado e artificial de falar significa mais ou menos que isto – visto que transgredimos a lei de Deus e por isso merecemos a condenação do inferno, Deus não inflige aos que são justificados a punição que tinham merecido”.[1]
 Para sermos claros, vejamos certa ilustração diz que existia um juiz que sempre fazia justiça, era famoso pelas suas sentenças justas e seu modo de julgar.   Certo dia, ele foi para o seu ofício em um julgamento, chegando lá, teve uma grande surpresa: o réu era o seu filho. Então, ele pensou: “ como farei justiça nesse caso?  O que eu devo fazer? ” Estava diante daquele juiz um grande dilema: A justiça que deveria ser feita e seu grande amor pelo seu filho. No final do julgamento, este juiz declarou a sentença ao filho criminoso, dizendo: - Você é CULPADO.  Depois declarou a pena ao seu filho: Você terá que pagar uma multa de cem mil reais. Mas, terminando o julgamento, o juiz saiu do seu lugar e pagou os cem mil reais do seu amigo, e os dois foram juntos para a casa do juiz. Esta ilustração narra claramente a misericórdia de Deus, ainda que não inocenta o culpado. Nós somos culpados de nossas transgressões, mas Deus o Santo Juiz, pagou por nós esta culpa na cruz de Cristo. Porque Deus nos ama, paga a dívida do pecado. Por causa da misericórdia, Deus nos torna livres da culpa que nos é revelada pela lei, isso se chama justificação. Este livramento ocorre através da aceitação do sacrifício de Jesus em nossas vidas. E assim, nenhuma condenação existe para aqueles que estão em Cristo (Rm 8.1) e Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores ( Rm5.8). No contexto de Moisés ele percebe no nome de Deus a disponibilidade de ver a miserável situação de pecado de Israel e perdoar seu povo.
Paciente – Deus não desanima, ele espera o arrependimento de seus filhos, pois não tem prazer na condenação de seus filhos pelos seus erros, mas deseja o arrependimento de cada um.Livrem-se de todos os males que vocês cometeram, e busquem um coração novo e um espírito novo. Por que deveriam morrer, ó nação de Israel?
Pois não me agrada a morte de ninguém; palavra do Soberano Senhor. Arrependam-se e vivam!
(Ezequiel 18:31,32).  Paulo escreve a Timóteo que Deus deseja que todos os homens sejam salvos a cheguem ao pleno conhecimento da verdade (1 Tm 2.4).
Cheio de amor – Deus é cheio de amor, ele é um Pai amoroso, faltariam livros para descrevermos seu amor, pois ele é o próprio amor. “Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (1 João 4:8). A condição para sermos iguais ao nosso Pai Celeste é o amor incondicional, como Jesus declarou: Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os publicanos fazem isso! E se vocês saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês” (Mateus 5:44-48).
Fidelidade – Deus é fiel, ele não nega a si mesmo, ele não nega a sua palavra e é sempre o mesmo.
Ele é um Deus perdoador, que mantêm o seu amor, o culpado não é inocente aos olhos dele, mas ele se fez culpado por amor do pecador, para que tivéssemos perdão na cruz de Cristo.
Todas as características do nome de Deus, fazem parte do seu caráter, e todas elas foram manifestas em Jesus na terra, o evangelho de João declara no capítulo 1, verso 14, que “o Verbo (se referindo a Deus) se fez carne, habitou entre nós cheio de graça e de verdade e vimos a sua glória”, Jesus revelou a glória de Deus em sua vida, ele manifestou o Pai na terra, e seu nome traz a nós a glória de Deus.
 A glória de Deus é manifesta em Jesus, e o Pai é revelado na vida do Filho na terra, Jesus declarou: “Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto.
Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta. Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras”
(João 14:7-10).
          O nome de Deus é santificado em nossas vidas, como o Filho Jesus santificou pelas suas obras, nós o santificamos expressando as mesmas características pelo fruto do Espírito Santo. Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei” (Gálatas 5:22,23). A glória de Deus, santifica o nome dele, em nossas vidas, através do fruto do Espírito Santo. Nosso comportamento vai revelar nossa filiação, nos tornaremos parecidos com o nosso Pai, pelo fruto do Espírito, pois o Espírito dele habita em nós. Então santificar o nome do Senhor é viver as características do nome do Senhor em nosso comportamento, uma vida diferente das demais pessoas do mundo, uma cultura nova, vinda do reino, onde o amor, alegria,  paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e o domínio de nossas atitudes se fazem presentes.
Que o nome de Deus, seja santificado na vida de seus filhos pelo Espírito Santo. Que pareçamos com Jesus , e que seu nome seja visto em todas as nossas características de filhos. Que possamos, ao orar, declarar a paternidade de Deus dizendo: “Santificado seja o teu nome, cheio de compaixão (compassivo), misericordioso, paciente, cheio de amor, fiel e perdoador! E que sejamos assim como nosso Pai, pelo fruto de seu Espírito Santo em nós”.

Deus te abençoe!!
Pr Welinton



[1] WESLEY, John – Sermões de Wesley. São Paulo. Imprensa Metodista,1926.