sábado, 24 de junho de 2017

Nosso Pai

Pai
"Pai nosso que estás nos céus ..."

A primeira palavra na oração do Senhor é esta: Pai. O que Jesus ensina primeiramente é falarmos com nosso Pai, não com um Deus distante de nossa realidade, que ficou nas histórias bíblicas do Antigo Testamento, mas como Deus sempre quis se apresentar como Pai.
O que significa para você a figura de um pai? Qual é o papel de um pai em relação aos seus filhos? O que você espera de um pai, e o que você como pai ou mãe trará a seus filhos? Muitas respostas como amor, cuidado, sustento, carinho, direção e proteção nos vem através da palavra “pai”. Então em nossas orações, no simples fato de chamarmos Deus de Pai, já estamos declarando a ele que confiamos em sua perfeita direção, proteção, cuidado, carinho, sustento, provisão e enfim, tudo o que vem de um pai. Declarar em nossas orações que Deus é nosso Pai, já é em si uma oração perfeita e sincera, onde entendemos pela paternidade todo o cuidado de Deus.
Existe um testemunho em nosso espírito, pelo Espírito de Deus, de sermos filhos de Deus e recebermos tudo o que o filho tem da parte do Pai. Veja qual é a confiança que deve estar presente em nossas orações: O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16).  O apostolo Paulo, ao escrever aos Romanos, tinha dentro de si a certeza de ser filho de Deus, e que os sofrimentos que a igreja vivia, não seriam comparados em nada com a glória que, como a filhos, tinha para receber do Pai (Rm 8.18).
Vejamos esse trecho de forma mais completa, em Romanos 8.14 – 18:
 Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados. Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós”. Ao chamarmos o Pai celeste, estamos agindo pela certeza que existe dentro de nós, que somos filhos, e na sequência Romanos 8.26, Paulo fala da intercessão do Espírito por nós, que manifesta-se com gemidos inexprimíveis. E o Espírito Santo que intercede em nossas orações, não nos escraviza, mas nos faz clamarmos como filhos, dizendo Aba (paizinho) Pai. “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”
Como ora e vive um filho de Deus?
 Um filho de Deus ora e vive com certeza da bondade do Pai: Jesus ensinou isso: ”Por isso, vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á. Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir [pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir] um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra? Ou, se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem? ” (Lucas 11.9-13).
         Se nós que somos maus devido aos nossos pecados, ainda assim, amamos nossos filhos e respondemos aos seus pedidos, lhes dando o que é bom e não coisas ruins, quanto mais podemos confiar que o Pai Celeste é bom, responderá nossas orações conforme sua bondade e nos dará o seu Espírito Santo. É preciso viver confiando em sua bondade, e entendendo que ele tem cuidado de nós. Sempre costumo dizer que uma vez que não confiamos em Deus, “desconfiamos” de Deus, não percebemos sua fidelidade, mas Jesus revela-nos o Pai em quem e ao qual podemos conceder nossa confiança, como também, abandonarmos toda a ansiedade e medo. Filipenses 4; versos 6 e 7 nos diz: ”Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças; e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus”.
Quer receber paz? Entre em teu quarto, vá para um lugar secreto, fale com o Pai, e ele cuidará de tudo.
 Um filho de Deus ora e vive, buscando o Espírito Santo. A base de nossa confiança no Pai, está em sua presença sendo manifestada em cada minuto de nossa existência. O que é mais confortante para um filho é justamente a presença de seu pai, isso lhe gera segurança e retira o medo. Como uma criança que a noite teme o escuro, mas ao chamar ao seu pai a segurança chega, o Pai celeste também quer gerar em nós a segurança de que não há o que temer, e esta segurança está na presença. E esta presença, habita dentro de nós, no lugar mais íntimo que o Pai encontra para depositar seu Espírito. Assim como um filho recebe uma carga genética que o identifica e o torna parecido com o Pai, recebemos dentro de nosso corpo a presença de Deus, que é seu Espírito.
 O Pai é o amor, Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor”. O Pai é em sua essência amor, e quando ele nos dá seu Espírito, nos dá a sua pessoa nos tornando cheios de amor, o amor é meio pelo qual o poder dele se move em nós, mas também é aquele que tira de nós o medo: Dessa forma, o amor é aperfeiçoado em nós, a fim de que tenhamos total segurança no Dia do Juízo, pois, assim como Ele é, nós semelhantemente somos nesse mundo. No amor não existe receio; antes, o perfeito amor lança fora todo medo. Ora, o medo pressupõe punição, e aquele que teme não está aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque Ele nos amou primeiro (1 João 4.17-19). Se temos a presença do Espírito do Pai, não temos o que temer, estamos baseados na confiança de que não estamos sozinhos, não somos filhos abandonados pelo Pai na terra, mas o Espírito do Pai anda conosco e está em nós.
         Então, na oração buscamos a presença do Pai em seu Espírito, esse é a segurança que temos, assim como Jesus declarou: “Atentai! Eu vos tenho dado autoridade para pisardes serpentes e escorpiões, assim como sobre todo o poder do inimigo, e nada nem ninguém vos fará qualquer mal “ (Lucas 10.19). “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós. Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros” (João 14.16-18).
         Jesus disse, que o Pai dará o Espírito Santo para aqueles que o pedirem, essa confiança que Jesus nos dá, não permite que fiquemos indiferentes quanto ao Espírito Santo, mas nos anima a pedirmos mais do Espírito Santo. Então, tomemos essa atitude e vejamos que nossa filiação será repleta da alegria, força, e poder do Espírito, que nos levará a nos movermos na obra do Pai, mas também nos confortará como filhos que confiam em um Pai que está presente.
Um filho de Deus ora e vive entendendo o cuidado do Pai. Jesus ensinou: “ Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai Celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal”.
Por muitos anos tenho percebido o cuidado de Deus para com nossa família, como pastor de uma igreja tradicional e conceituada em nosso país, passei por  seis cidades em nove anos, foram muitas mudanças de cidade dentro do mesmo estado, de cultura, de amizades e de estilos de vida, bem como muitas mudanças de situações financeiras, após esse período fomos para mais uma cidade sem termos vínculos com a denominação e passamos mais dois anos lá, Maringá, e lá aprendi a depender mais de Deus do que antes quando estávamos afiliados à uma denominação que nos amparava, porém o mais incrível é que em todas essas situações altas ou baixas, Deus nunca nos desamparou, nunca tivemos fome, sempre houve algum tipo de trabalho, algumas vezes escasso, porém sempre houve sustento, embora as situações de mudança nem sempre tenham sido confortáveis, foi um período que aprendemos o contentamento, mas mais ainda, a paternidade de Deus sempre se manifestou. Nem sempre fui calmo, muitas vezes fui insatisfeito e descontente, muitas vezes corri atrás de soluções humanas imediatistas que me frustraram, mas meu descontentamento e minha insatisfação somente impediam meus olhos de ver Deus agindo em seu cuidado para com minha família, claro que sei que situações difíceis sempre vêm , mas aprendi também que elas vão embora e chega o tempo da paz, o grande segredo, e onde Deus quer sempre nos ensinar, é vivermos confiando nele e agradecidos em todas as situações, como o apóstolo Paulo aprendeu. “Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado; o qual também já tínheis antes, mas vos faltava oportunidade. Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:10 -13).
Certa frase que li diz: “O contentamento não vem de grande riqueza, mas de poucos desejos”. Então quando ambicionamos muito, não encontramos a satisfação. Poderíamos definir “ ganância” como o desejo por coisas que Deus não quer nos dar, e o esquecimento do cuidado que Ele nos dá. Quando você examina o contexto da afirmação feita por Paulo acima, percebe que ele estava em tribulações, ou seja, necessidades materiais. Os irmãos filipenses interferiram com uma ajuda, uma oferta amorosa para seu sustento, e ele lhes diz que ela veio de encontro à sua necessidade do momento, ou como ele mesmo denomina: pobreza. Mas o apóstolo não reclama da privação, mas diz que aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação. Observe isto: ele aprendeu o contentamento, o que significa que no início de sua carreira cristã ele não o possuía. E onde foi que ele aprendeu a exercer esta virtude? Em meio a abundância ou à falta? É claro que em meio a falta, pois são em circunstâncias como esta que Deus trabalha em nós. Quando chegou a provisão enviada pelos irmãos filipenses, Paulo teve a vitória sobre a privação e necessidade, mas ele não apenas venceu, ele aprendeu o contentamento. Aprendeu que sua alegria em Deus independe do que acontece do lado de fora e deve estar presente em toda e qualquer situação.
Precisamos aprender que nossa alegria vem de Deus, e não dos bens que possuímos. Paulo aprendeu que não são as circunstâncias que devem reger nossos sentimentos, mas sim a confiança no Deus da nossa vitória. Paulo foi tratado pelo Senhor a ponto de se desapegar completamente das coisas materiais e viver contente pelo fato de que Deus é maior do que nossos problemas e intervém neles. El ainda diz que tinha experiência em tudo, tanto na fartura e abundância como na falta e escassez, mas que não interessava que tipo de situação ele passava, pois ele podia todas as coisas naquele que o fortalecia: Deus. E vemos que, poder todas as coisas não é deixar de passar por tribulações, nem tampouco vencê-las tão imediatamente cheguem, mas suportá-las paciente e confiantemente sabendo que a vitória do Senhor é certa e que ela chegará a tempo.
A única forma de não nos deixarmos envolver pela ganância é deixar a Palavra de Deus prevalecer em nossos corações. E o que as Escrituras Sagradas mais ensinam no que tange as coisas materiais, é que devemos viver com contentamento. Nosso coração não deve ser preso pela ganância, mas sustentado pelo contentamento. A base de não vivermos ansiosos é percebermos o cuidado do Pai em toda a sua criação, quanto mais o cuidado dele com seus filhos, “Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas;
         O nosso Pai sabe de todas as nossas necessidades, não precisamos ficar ansiosos, mas ao orarmos e dizermos “Pai”, já estamos dizendo que ele tem cuidado de nós. “Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? ”.
Se o Pai Celeste, nos entregou e se entregou por nós em seu filho Jesus na cruz, negará a nós as respostas, providências e benefícios que como filhos precisamos?
Ao orarmos Pai, nos colocamos em suas mãos e declaramos que temos nele essa confiança.
Basta ao dia o seu próprio mal
Basta ao dia o seu próprio mal, cada dia já tem problemas demais para serem resolvidos naquele dia, e não podemos ficar ansiosos com os problemas que serão resolvidos amanhã, o amanhã trará os seus cuidados. Na posição de filhos, Deus nos ensina a viver um dia de cada vez, e percebermos no “hoje” o cuidado dele, as provisões, os livramentos, as respostas, e assim da mesma forma como até hoje o Senhor nos ajudou, nos ajudará amanhã, mas nós não precisamos estar aflitos com o amanhã, porque o mesmo Pai que nos ajudou hoje, amanhã estará presente em nossas vidas. Precisamos aprender a viver um dia de cada vez. Confiando que Deus cuidará do amanhã e não desconfiando que nos deixará algo faltar, pois ele não é um pai negligente. Com confiança podemos dizer: PAI.

Firme-se no amor dele.


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Oração, intimidade com o Pai Nosso

         
    Deus é um bom Pai. Paulo diz que podemos chamá-lo de papai, em hebraico "Aba". 
       Paternidade é a função do Pater (pai em grego), falar da paternidade de Deus relaciona-se com a linhagem de Deus, a família de Deus. Tal assunto, é essencial  nos dias atuais, pois vemos cada dia mais o distanciamento entre pais e filhos em um mundo seduzido pela promiscuidade e desestabilidade da família, a promiscuidade está substituindo a paternidade e anulando a função da mãe, os padrões bíblicos têm sido ridicularizados por propostas governamentais e de mídia, cada dia mais, a figura do pai está perdendo seu valor e a mãe está se ausentando de casa por consequência desse contexto. Sendo os pais um referencial do caráter, cuidado, lealdade, fidelidade, presença e amor de Deus, cada dia mais, se tem uma ideia de um Pai Celeste ausente.
       O exercício da autoridade paterna baseado em extremos de ausência ou abusos promovem graves distorções na vida dos filhos, as funções de direção, limites e proteção ausentes em um pai, ofuscam os filhos de verem em Deus um Pai que os dirige, protege e sustenta, e confunde as noções de limite, afeição e liberdade, onde se sustenta o amor.
           O texto do Evangelho de João no capitulo 1, versos 12 e 13, revela-nos o propósito de Deus em nos enviar Jesus, de colocar aqueles que creem e o recebem como salvador, na posição de filhos amados de Deus, tirando-os de sua natureza decaída de filhos da ira, ou filhos da condenação. Jesus pagou pelos seus pecados que os afastavam do Pai, para que o recebessem e assim tivessem sua filiação e adoção eternas, com todos os privilégios que os filhos podem ter. Assim o texto bíblico contraria a proposta satânica do mundo da orfandade espiritual, solidão, abandono paterno e abandono por Deus, e nos faz voltar para o Pai e voltarmos nossos corações ao Pai do Céu.  
             A oração que o Senhor Jesus ensinou seus discípulos, a conhecida oração do “ Pai nosso”, mostra-nos princípios em toda a bíblia que revelam nossa real posição de filhos de Deus.
Pai Nosso
 “E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes. Portanto, orai vós deste modo: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal. [Porque teu é o reino e o poder, e a glória, para sempre, Amém.] Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas" (Mateus 6. 5 ao 15). 
            Nossos pais, por sua humanidade, falharam em muitos aspectos, como nós também falhamos como filhos, mas os erros deles não podem ofuscar as atitudes boas que tiveram; porém em Deus vamos encontrar um Pai perfeito, como sempre sonhamos e que nunca errou conosco em nenhum aspecto, e nunca colocará em nós um fardo pesado, mas nos carregará no colo nos momentos mais difíceis e sempre estará ao nosso lado. Quando nos sentíamos sozinhos em nossa infância ele estava lá, quando chorávamos ele estava presente, quando tínhamos medo ele nos acalmava, porém nossos pecados e sentimentos de orfandade muitas vezes não nos levaram a reconhecer a presença do Pai Celeste conosco, ou mesmo agradecer por ele estar por perto. Quantas vezes, ele manifestou seu cuidado através de nossos pais físicos, e não o percebemos. Agora, porém, poderemos colocar todas as nossas expectativas de filhos em cima de nosso Pai perfeito. Precisamos entender, exatamente através da oração que Deus não nos deixou em nenhum momento de nossa caminhada da vida. 
            Jesus está ensinando seus discípulos sobre a oração. Ao conversar com seus discípulos em uma planície, o Senhor Jesus estava explicando sobre os valores do Reino de Deus, que ele veio trazer a terra, e no decorrer de sua mensagem ele ensina seus discípulos a orarem, porém a oração que Jesus ensina é diferente da oração que os fariseus demonstravam, não era uma expressão de badalação humana, mas de relacionamento familiar com o Pai. "E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa” (Mt 6.5). Os fariseus, (do Hebraico perushim, significa "os segregados"), grupo de religiosos que nasceu no século II, a. c, dedicavam-se sua maior atenção às questões relativas à observância das leis de pureza ritual, inclusive fora do templo. Porém, tinham esse tipo de entendimento sobre a oração, expressar como atores (hipócritas) uma religiosidade e fé que era apenas para atrair a admiração dos homens, e a recompensa deles era essa, por isso não eram recompensados pelo Pai, porque tudo o que queriam era a admiração humana, suas orações não atraiam a Deus para uma conversa de Pai e filhos. “Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará”. O que Jesus ensina na oração é nos posicionarmos como filhos, em casa e não em uma praça, no particular e não em público, ao Pai e não aos homens, pois não é um discurso, mas uma conversa de filho para Pai e do Pai para com seus filhos. A palavra quarto no texto, não refere-se ao local que as pessoas dormiam, mas o quarto aqui, refere-se ao lugar onde as pessoas guardavam seus alimentos em casa, que era fechado e sem janelas. Jesus ensina a buscar o alimento espiritual no quarto. Jesus não está condenando a oração em conjunto, ou a oração feita diante dos homens, mas expressando que a oração é o meio de entrarmos na presença do Pai, e não de atrairmos a admiração das pessoas por nossa religiosidade. Desde que criou o ser humano, Deus procurava comunhão com seus filhos, “8 E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia” (Gênesis 3.8), Deus sempre visitava o jardim e chamava seu filho e sua filha, mas quando o pecado veio o homem e sua mulher se esconderam de Deus. Porém, hoje através de Jesus, do seu sacrifício na cruz e de seu nome, podemos nos apresentar novamente diante do Pai e nos encontrarmos com ele no jardim que é a oração, esse encontro nos traz a paz, o sentimento de segurança paterna que precisamos. 
          Jesus Cristo, muitas vezes se retirou para os montes e lugares solitários para estar com o Pai, e ao irmos a esses lugares solitários, ele manifesta sua presença para juntos entrarmos no jardim da presença do Pai, e esse jardim é a oração; o lugar onde nos encontramos intimamente com o Pai, como Adão e Eva antes da queda costumavam receber sua visitação, hoje podemos recebe-la também. Podemos recordar no Evangelho de Marcos 14: 37 ao 39, que Jesus estava no Getsêmani, e já estava preparando-se para o dia da sua crucificação e ali seria preso, mas preocupou-se em estar com o Pai em oração: “Voltando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, tu dormes? Não pudeste vigiar nem uma hora? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. Retirando-se de novo, orou repetindo as mesmas palavras” (Marcos 14:37-39). Diante da prova que estava por vir, a prisão e crucificação de Jesus, Jesus pediu para seus discípulos se colocarem em oração, preparando-os para as provas que aconteceriam, assim, ele se retirou e levou consigo Pedro, Tiago e João para orar; depois afastou-se um pouco dos três e foi orar sozinho. Mais tarde voltou e achou-os dormindo, e repreendeu-os por não poderem orar nem sequer uma hora com ele. Interessante é notarmos que mesmo Jesus sendo Deus e homem, colocou-se numa posição de dependência da oração. Ele se pôs dependente do Pai celestial. E notamos que os discípulos Pedro, Tiago e João não sentiam a mesma dependência e se deixaram ser vencidos pelo sono. Jesus então os ordenou que estivessem vigiando, por que os guardas estavam por vir, e se mantivessem em oração. Jesus sabia das provas que estavam por vir, e também sabia do cansaço de Pedro, Tiago e João. Mas, a ordem de Jesus é que apesar da fraqueza da carne, das fraquezas físicas, do cansaço, precisamos e somos chamados a permanecer em oração. Jesus nos exortou a vigiar e orar, (Marcos 14:38) “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”. Ensinou-nos também onde orar, (Mateus 6:6) “Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará”. Além do quarto, (dispensa) apontou outro lugar, (Lucas 19:46) “Dizendo-lhes: Está escrito: A minha casa é casa de oração; mas vós fizestes dela covil de salteadores”. Está bem claro que Jesus nos ordena a oração. Mas, ainda percebemos que Satanás tenta colocar sobre nós a ideia de que a oração é um peso, ou um sacrifício. A religiosidade tenta colocar a oração como uma penitência, como um castigo pelos nossos pecados. Essa é uma visão da cultura religiosa de nosso país, onde diante da confissão auricular o sacerdote ordenava 10 ou 20 orações repetidas como pagamento dos pecados para se receber perdão de Deus. Mas quando Jesus nos ensinou a oração, por exemplo do “pai nosso”, ele estava ensinando a conversar com Deus como um Pai, a ter nele uma confiança paterna e não uma expressão de religiosidade ou farisaísmo. Quando Jesus nos ensina a oração, nos manda sacrificar a nossa carne sim, mas afim de sentirmos o maior prazer que existe para aqueles que amam a Deus, o prazer de estar na presença do Pai. Salomão retratou esse prazer da comunhão em Cantares de Salomão nas expressões de amor da noiva para com o noivo, a noiva simbolizando a igreja e o noivo simbolizando ao Senhor Jesus. Davi expressou seu amor pelo Senhor em vários salmos, e em muitos vemos ele clamando por essa comunhão com o Senhor dizendo: “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água. Assim, eu te contemplo no santuário, para ver a tua força e a tua glória. Porque a tua graça é melhor do que a vida; os meus lábios te louvam. Assim, cumpre-me bendizer-te enquanto eu viver; em teu nome, levanto as mãos” (Salmo 63.1-4).
           O que o Senhor Jesus ordena é que vivamos em oração mantendo profunda comunhão com o Pai em nome de Jesus. Que sintamos o prazer da oração que é melhor do que o tranquilo sono, ou do que a fome saciada ou do que qualquer coisa que o mundo possa nos oferecer. A oração é um mandamento prazeroso que não se cumpre como castigo, mas sim um momento de estarmos na presença do Pai de amor, onde seu Espirito e seu Filho se manifestam presentes. Quão doce e agradável é estar na presença do Pai! “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes” (Mateus 6.7 e 8). A oração é um momento de intimidade com o Pai, e nela conhecemos seu grande amor, nela as expressões tem que sair do coração e não de repetições que nos foram religiosamente apresentadas. 
               A oração do Senhor (Pai nosso) não é uma repetição, mas tem um sentido didático, de ensino, não uma formalidade que necessite ser repetida constantemente, se tornarmos essa oração em uma repetição, já de início perderemos sua essência de amor. Jesus deixa isso claro no verso 8, e declara que antes de nós pedirmos qualquer coisa a Deus ele já conhece a nossa necessidade, pois todo pai verdadeiro e presente, percebe atentamente as necessidades de seus filhos, e nosso Pai celeste está atento às nossas necessidades também, porém ele espera que a necessidade nos atraia para o jardim da oração, onde ele ouvirá nossas vozes e atenderá nosso clamor, pois ama nossa aproximação dele.
          Corra para a presença do Pai agora mesmo. " Se me amardes guardareis os meus mandamentos" ( Jo 14.15).



Deus te abençoe!
Pr Welinton

Coloque-se na brecha

“E busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro, e estivesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruí...