quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Apocalipse, significado dos números


          O Apocalipse é sempre coerente em seu emprego de números, para o compreender mais facilmente é necessário ter clareza do significado dos números na Bíblia. Em sua leitura, pode-se perceber que certos números aparecem com bastante frequência como o sete, o doze e o quatro. Lembre-se que eles não surgem na Bíblia por acaso; possuem um significado. A Bíblia usa os números de um a seis como básicos para todos os outros. Todos os demais têm seus significados essenciais a partir dos seis primeiros.
         Vejamos os significados:
         Um – É o número de Deus. “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. ” (Deuteronômio 6.4)Fala de harmonia e unidade. Deus é a fundação. Tudo começa nele. Ninguém o precede, desse modo, o número um representa o Deus absoluto. Para com Deus tudo é um: há um só Deus (1 Tm 2.5) “ Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem”.
         Três – Representa a trindade, Deus é Pai, Filho e Espírito Santo, aparece falando da redenção, Deus só se revela como trindade no processo da redenção, sendo necessária ação conjunto entre Pai, Filho e Espírito Santo para que o pecador seja redimido, seja salvo. aponta para algo completo relacionado a Deus que é Triuno, três que são um. O homem é a imagem e semelhança de Deus, por isso, ele é triuno: espírito, alma e corpo. A família para ser família tem que ter pai, mãe e filho, porque expressa o relacionamento da trindade. Três também é o número da ressurreição porque Ele ressuscitou ao terceiro dia. Jonas ficou três dias no ventre do peixe e o Senhor disse que esse era o sinal da ressurreição. O batismo é feito em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Pedro negou Jesus três vezes e por três vezes Jesus lhe perguntou se ele o amava. A Primeira Epístola de João menciona três testemunhas sobre a terra e o céu (1 Jo 5.8). Elas são o Espírito, a Palavra e o Sangue, testemunhas porque apontam para as três pessoas da trindade.
         Quatro – O número do mundo é quatro, ou da criação. Quatro direções, quatro ventos, quatro estações. Os quatro impérios mundiais do livro de Daniel simbolizam o domínio humano sobre a terra, desde Nabucodonosor até Cristo. Os quatro evangelhos registram a história de Cristo sobre a terra. Os quatro querubins do livro de Ezequiel , representam a organização celestial que julgará a terra. Os quatro seres viventes do Apocalipse transmitem as instruções dos julgamentos em ação contra a terra. Na parábola do semeador, são quatro os tipos de solo do coração, mostrando que abrange toda a criação de Deus. O julgamento do mundo tem quatro aspectos em Apocalipse: a guerra, a fome, a doença e o terremoto. Por isso o número quatro na Bíblia, aponta para criação.
            Cinco - O número cinco significa responsabilidade diante do Senhor. Na parábola das virgens, tem-se dois grupos: cincos néscias e cinco prudentes (Mt 25.2). Isso porque cinco significa responsabilidade. É o número de dedos da nossa mão indicando que temos compromisso com os nossos atos. Nossas mãos simbolizam nossas obras. A consagração de Arão e a purificação do leproso tinham cinco unções que eram aplicadas em cinco partes do corpo, mostrando que somos responsáveis pela unção recebida. O Senhor multiplicou cinco pães para alimentar cinco mil pessoas e Davi usou cinco pedras para vencer Golias. Sabemos que o quinto reino mencionado em Daniel, será o reino de Cristo e para entrar nele, temos que ter compromisso. Em Levítico temos cinco ofertas que falam das obrigações de o homem se apresentar diante de Deus. Dessa forma, o número cinco simboliza responsabilidade diante do Pai.
         Seis - É o número do diabo (Dn 3.1, Ap 13.18). É também o número do homem caído em rebelião contra Deus e unido com o diabo. Seis é o número do homem criado vivendo sem Deus no mundo. O homem foi criado no sexto dia. Pode trabalhar seis dias por semana (Ex 23.12). O número do anticristo é 666. Três vezes seis. 666 simboliza o homem em teimosia tentando ser Deus. É o ápice do humanismo e da sua independência de Deus. No Velho Testamento, um escravo só podia ser escravo por seis anos; no sétimo, ele tinha que sair livre. Segundo a cronologia bíblica, a história do homem na Terra tem seis mil anos de Adão até hoje. Entendemos que o sétimo será o milênio. O sexto selo fala da ira do Cordeiro sobre a humanidade. Golias tinha seis dedos nas mãos, seis dedos nos pés e seis côvados de altura. Tudo em Golias era seis, porque fala do homem como inimigo de Deus (1 Sm 17.4-7). Também as dimensões da estátua de Nabucodonosor eram sessenta por seis, mostrando que é um tio de anticristo (Dn 3.1-3). O anticristo se levantará contra tudo que se chama Deus. Ele é a consumação de Babel. É o homem vivendo independente de Deus, dizendo: não precisamos de ti, não queremos nos sujeitar a ninguém, nem adorar a ninguém, não queremos nos dobrar diante de ninguém. O anticristo é o ápice do humanismo. Cada vez mais ouvimos a mensagem de que o homem é o centro, de que o homem é capaz de tudo, de que ele, homem, é o seu próprio Deus.

          Sete – Número da totalidade, não da perfeição. O dragão aparece com sete cabeças, o que indica seu completo domínio sobre a terra inteira, tipificada pelos sete grandes impérios mundiais. Sete mostra qualquer objeto em sua inteireza, do início ao fim, por isso as sete igrejas representam a igreja de Cristo em todas as épocas, em sua totalidade, sete espíritos representam a totalidade do Espírito Santo. O livro com sete selos tem em si a consumação da redenção, então toda a redenção ficará completa na abertura do sétimo selo, e quando forem tocadas as sete trombetas, ocorrendo sob o sétimo selo.[1]
         Dez -É um número indefinido, ou arredondado, ou sujeito a alterações.
         Doze – Número de todos os redimidos. No Antigo Testamento, representados pelas doze tribos de Israel, no Novo Testamento, pelos doze apóstolos. Na cidade Santa são representados pelas doze portas e pelos doze fundamentos de pedra, com o nome dos santos do Antigo e do Novo Testamentos e da Nova Aliança.
 Vinte e quatro -Apocalipse 4:4 declara: "Havia também ao redor do trono vinte e quatro tronos; e sobre os tronos vi assentados vinte e quatro anciãos, vestidos de branco, que tinham nas suas cabeças coroas de ouro." Não temos no Apocalipse uma clareza de quem são os vinte e quatro anciãos. Porém, é possível que sejam representações da igreja e de Israel, embora ainda Israel não estivesse sido ainda reconstituído como nação. É improvável que sejam seres angélicos, assim como alguns sugerem. O fato de que se sentam em tronos indica que reinam com Cristo, como a igreja. Em nenhum lugar nas Escrituras os anjos governam ou sentam-se em tronos. No entanto, se diz repetidamente que a igreja governa e reina com Cristo (Apocalipse 2:26-27, 5:10, 20:4, Mateus 19:28, Lucas 22:30).
A palavra grega traduzida aqui como "anciãos" nunca é usada para se referir a anjos, apenas a homens, particularmente a homens de uma certa idade que são maduros e capazes de governar a Igreja. As coroas de ouro usadas pelos anciãos também indicam que estes são homens, não anjos. As coroas nunca são prometidas a anjos, assim como nunca vemos anjos as usando.
Cento e quarenta e quatro mil – refere-se a Israelitas salvos, no início da tribulação e selados para proteção. Doze mil de cada tribo de Israel. Alguns sugerem a igreja.
Sobre esses assuntos acima, entraremos com maior profundidade nos próximos livros, mas é importante entendermos o significado dos números para, na leitura do Apocalipse, entendermos com maior clareza.

Coloque-se na brecha

“E busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro, e estivesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruí...