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sábado, 19 de setembro de 2009


JUGO DESIGUAL
R David Jones - Adptado

É comum ouvirmos expressões como as a seguir:

"Na igreja não há bons rapazes para se namorar”.
“As meninas são muito inconstantes”.
“Meu(minha) namorado(a) não é crente, mas é mais cristão(ã) do que muitos crente que conheço”.
“Já procurei mas não encontrei ninguém que me atraia na igreja”.
“Ele(a) é super compreensivo, e não me impede de viver a minha fé”.
“Eu tenho certeza que ele(a) se converterá futuramente”.
“Eu conheço um casal que casou em jugo desigual, mas depois ele(a) se converteu e hoje vivem felizes na igreja”.

“Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” (2 Coríntios 6:14)
Na expressão "jugo desigual" há uma figura de linguagem que se baseia na forma em que animais são emparelhados e atrelados para puxar uma carroça ou arado na agricultura primitiva.

O jugo, que talvez conheçamos melhor por canga, é uma peça de madeira assentada sobre o pescoço dos animais, geralmente bois, para mantê-los submissos e obedientes a quem os conduz.

Para o conforto dos animais e a fim de permitir o aproveitamento melhor de cada um, é importante que sejam de natureza e porte iguais. Em Deuteronômio 22:10 foi proibido aos israelitas emparelhar um boi com um jumento para lavrar. São animais de porte e natureza diferentes, além do que o boi era um animal “limpo”, permitido para alimento e sacrifícios ao Senhor enquanto o jumento era “impuro”, proibido para essas coisas.

Por analogia, em sentido figurado, jugo representa uma sujeição imposta pela força ou autoridade, mesmo opressão, e também representa um vínculo de submissão e obediência resultante de determinado tipo de convenção.

No trecho que vai do versículo 11 a 18 do sexto capítulo da sua carta aos coríntios, Paulo reclama que, embora tivesse seu coração aberto para os coríntios, desejando estreitá-los em seus braços, eles se achavam esquivos, presos aos seus próprios afetos. Seu apelo foi para que deixassem seus laços com a idolatria, os pecados da sua velha natureza humana e o mundanismo em que estavam envolvidos.

Era um jugo desigual, ao qual estavam presos por suas afeições, e que exigia sua lealdade embora esses parceiros fossem “imundos”: totalmente incompatíveis com o alimento espiritual e o sacrifício de seus corpos a Deus que era o seu culto racional.

“Saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei; e eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso” (vs.17,18).

O crente tem uma nova natureza que lhe é dada ao nascer de novo quando morre para si mesmo e passa a viver para Cristo ao converter-se. Ele continua no mundo, mas já não mais pertence ao mundo. Sua lealdade agora é para com Cristo, seus ideais consistem em seguir os caminhos de Deus e obedecer aos seus mandamentos. Já é uma nova criatura e é tão diferente dos incrédulos como é o boi do jumento, naquela figura.

Paulo contrasta justiça com injustiça, luz com trevas, Cristo com Belial (o diabo é entendido aqui), fiel com Infiel, templo de Deus (o crente) com ídolos (o incrédulo). São perfeitos antônimos em lingüística, denominando pessoas ou coisas de qualidades totalmente opostas. Assim difere o verdadeiro crente do incrédulo empedernido. É impossível haver concordância entre eles. Como então explicar como um crente pode não só consentir mas ter gosto em vincular-se, e assim restringir a sua liberdade, com essas pessoas ou coisas?

Como os crentes de Corinto, ele poderá já de início encontrar-se emparelhado com os incrédulos, em vínculos de submissão e obediência a religiões falsas, sociedades maliciosas e escusas, convenções mundanas, e outros similares. Essa parceria e submissão são altamente prejudiciais às suas obrigações para com o seu Senhor e Mestre, à sua integridade, e aos padrões elevados que lhe convém manter.

Na sua primeira carta aos coríntios Paulo havia explicado que o crente não se deve isolar dos descrentes, apesar da sua natureza pecaminosa, porque para isso teriam que sair do mundo (1 Coríntios 5:9,10). Também não deveriam deixar os seus cônjuges incrédulos se estes concordassem em continuar vivendo com eles (1 Coríntios 7:12,13). Os crentes têm que ser testemunhas ativas de Cristo no meio dos infiéis, pois são o sal ou a luz no mundo.

Mas vincular-se em submissão ao mesmo jugo que eles é diferente: Paulo define a liberdade do crente como “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm … eu não me deixarei dominar por nenhuma … nem todas as coisas edificam” (1 Coríntios 6:12, 10:23). A simples convivência é diferente da vinculação a uma submissão ou obediência, mediante uma convenção junto com eles.

O jugo pode ser decorrente de uma obrigação legal, como o serviço militar. Paulo não pode estar se referindo a isso, uma vez que ensinou que devemos obedecer à autoridade constituída em nosso país. Existem ainda, hoje em dia, associações para diversas finalidades e muitas não são prejudiciais ao testemunho cristão nem impingem sobre a liberdade do crente, por exemplo alguns clubes esportivos, alguns hospitais e sociedades beneficentes, associações profissionais, etc, nos quais os crentes podem exercer uma influência positiva sem incorrer em restrições ao seu testemunho.

Paulo está, sem dúvida, condenando aqui as associações pessoais ou sociais feitas de espontânea vontade com os incrédulos, quando, longe de edificar a vida espiritual do crente, elas cerceiam ou mesmo prejudicam o testemunho da sua fé. Ao pertencer, o crente estará sendo dominado por elas.

O mandamento é “saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor”. Evidentemente, muito menos ainda podemos começar por entrar, depois de ter sido recebidos como filhos de Deus. Devemos fazer de tudo que estiver ao nosso alcance para evitar situações em que nossa lealdade seja dividida, pois nossa dedicação a Deus deve ser integral.

Nossa cultura e civilização contemporânea é anti-Deus, e é por isso que nós, os filhos de Deus, não podemos amá-las. Muitos de nós vivemos no mundo de negócios, muitos temos mesmo que andar dentro de um ambiente social, mas não precisamos ser parte dele. Antes costumávamos obedecer ao sistema do mundo, viver nele, e apreciá-lo, mas agora somos filhos de Deus e vamos obedecê-Lo. Isto significa odiar o mundo, como Paulo disse: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo” (Gálatas 6:14). Uma cruz o separava deste sistema mundial satânico, e ele se gloriava nessa cruz mediante a qual o mundo havia morrido para ele, e ele para o mundo.

O mundo está passando - vai chegar a um fim, assim como as trevas vão se dissipar (1 João 2:8) - mesmo a sua concupiscência. Mas aquele que persevera em fazer a vontade de Deus permanece eternamente: ele está fazendo aquilo que é permanente, tem estabilidade, e vai durar por toda a eternidade.

Sejamos perspicazes para aprender de Deus como viver no mundo sem ser parte dele!

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