segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

As mulheres podem ensinar nas igrejas?



Uma reflexão sobre 1 Timóteo 2.11-15
Uma leitura apressada do versículo acima sempre deixou a impressão de que Paulo seria um misógino inveterado, reacionário e machista. Proponho aqui não a resolução do problema, mas apenas uma reflexão.
Como nos lembra James Choung, em seu texto Can Women Teach? An Exegesis of 1 Tim 2.11-15 and 1 Corinthians 14.33-40, os bons manuais de exegese e hermenêutica nos ensinam a investigar o contexto de uma passagem analisada. Neste caso, o cenário em questão é uma lembrança de Paulo a seu discípulo Timóteo da autoridade que lhe foi investida para pregar contra falsos mestres e suas doutrinas distorcidas. O tema permeia toda a carta, e traz uma série de dicas sobre como o jovem Timóteo deveria agir para contornar o problema. Depois de passar suas dicas, Paulo passa a fazer um comentário sobre a Igreja de Éfeso e o modo como deveriam exercer seu culto de adoração. Este é o contexto.
No segundo capítulo, depois de comentar sobre vários aspectos da vida cristã, Paulo diz o seguinte: “A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão” (1Tm 2.11). Aqui temos já uma curiosidade, levantada por Stanley Grenz e Denise Kjesbo no livro Women in the Church (p. 128): ao contrário da tradição judaica, que excluía a mulher do ensino, Paulo afirma que elas deveriam receber ensino. Isso tinha um fim muito específico. Elas estavam sendo levadas pelas falsas doutrina pregadas, como fica claro em 2Tm 3.6-7: “Alguns deles entram nas casas e conseguem dominar mulheres fracas, que estão cheias de pecados e que são levadas por todo tipo de desejos. São mulheres que estão sempre tentando aprender, mas nunca chegam a conhecer a verdade”.
Na verdade, ainda em 1 Timóteo 5.15, Paulo explica que “algumas viúvas já se desviaram e seguiram Satanás”. Paulo está, portanto, ordenando que as mulheres da Igreja de Éfeso aprendam a sã doutrina e fiquem imunes às heresias pregadas pelos falsos mestres. Há aqui uma conclusão interessante, levantada por James Choung no artigo acima mencionado: “esta passagem, que é geralmente vista como rebaixando as mulheres está, na verdade, fortalecendo-as” (CHOUNG, p.3).
O versículo seguinte é ainda mais interessante: “E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio” (1Tm 2.12). Em grego, a expressão “exerça autoridade” (authentein) é apenas um verbo (infinitivo, voz ativa e tempo presente), e traz um significado muito mais forte: “usurpar autoridade, instigar ou perpetuar um crime, exercer ativamente influência” (segundo o Dicionário Strong e Andrew C. Perriman, p. 134).
Segundo Walter Liefeld, o termo pode ainda ter significados mais grotescos, como “cometer suicídio”, “matar um parente” ou “realizar ato de violência sexual”. No Online Etymology Dictionary, a palavra significa “alguém agindo em sua própria autoridade”, já que fruto da união de autos (“si mesmo”) e hentes (“aquele que executa”, “aquele que é”).
O problema é que esta palavra não aparece em nenhum outro lugar na Bíblia, mesmo na tradução grega do Antigo Testamento, a Septuaginta. Isso dificulta ainda mais a tradução. O recurso é investigar os diversos sentidos que o termo assume nos textos clássicos gregos. No Liddell Scott Greek Lexicon, um dos mais respeitados, a palavra authenteo traz o significado de “ter pleno poder ou autoridade sobre” ou “cometer assassinato”. No apêndice de Köstenberger, o termo significa “assassino”, “suicídio”, “membro de uma família de homicidas”, “perpetrador”, “autor”, “executor”. Catherine Kroeger (p. 225-243) chegou a defender que o termo authenteo estava associado a um tipo de emasculação, ou castração cultual, que ocorria em alguns ritos ascéticos realizados na Ásia Menor. Assim, 67% das vezes em que o termo aparece na literatura clássica, ele traz um significado muito mais sombrio e macabro do que apenas “exercer autoridade” (CHOUNG, p. 3).
Portanto, o versículo não está se referindo a uma autoridade qualquer impedida à mulher, mas a um poder ilegítimo, roubado e usurpado. Paulo está defendendo que a mulher não usurpe o cargo de um homem, não tome sua posição, não o destitua do poder e não conspire contra sua autoridade.
Curiosamente, a expressão “em silêncio” de 1 Timóteo 2.12 também é singular na Bíblia, ocorrendo, na forma hesuchia (dativo, singular, feminino) apenas em 1 Timóteo 2.11 e 12. Em Atos 22.2, o termo aparece na forma hesuchian (acusativo, singular, feminino) e em 2 Tessalonicenses 3.12 como hesuchias (genitivo, singular feminino). O curioso é que em 2Ts 3.12, o termo é traduzido como “tranquilamente” (versão Almeida Revista e Atualizada), “sossego” (versão Almeida Revista e Corrigida), “sossegadamente” (versão Almeida Atualizada). Vemos, portanto, que o termo traduzido como “silêncio” em 1 Timóteo 2 pode ser tranquilamente entendido como “sossego” ou “tranquilidade”. Não é uma proibição de falar, pelo contrário. Essa tese se harmoniza com 1 Coríntios 11, em que Paulo comenta sobre as mulheres que não somente falam, mas profetizam.
Seguindo o raciocínio acima, poderíamos traduzir 1 Timóteo 2.12 da seguinte maneira: “Não permito que a mulher ensine erroneamente ou exerça autoridade ilegítima sobre um homem, mas fique em humilde tranquilidade”.
Nos versículos seguintes, Paulo faz uma alusão ao fato de Eva ter sido criada depois de Adão: “Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão” (1 Timóteo 2.13-14).  Há algumas questões a considerar. Se partirmos do princípio que o fato de ser criado primeiro torna o ser superior, teremos que concluir que todos os animais, vegetais, minerais e mares que foram criados antes de Adão são superiores a ele. Por outro lado, se seguimos a lógica de que Adão é superior, pois é a “fonte” de Eva, porque esta foi criada a partir daquele, teremos que considerar que a “fonte” do homem é o pó da terra, portanto, superior a ele. Obviamente, isso não faz sentido.
A mulher foi enganada. Mas Adão se rebelou. Adão conhecia a Lei de Deus, e ele deveria ter ensinado a Eva tais leis. Ou Adão não ensinou corretamente, ou Eva não aprendeu direito. Em todo caso, Eva foi enganada, enquanto Adão se rebelou, o que é mais grave, pois conhecia a lei. E Paulo deixa isso muito claro em Romanos 5, quando afirma que o pecado entrou no mundo por meio de um homem: Adão.
Assim, podemos entender que, em 1 Timóteo 2.11-14, Paulo está, na verdade, aconselhando que as mulheres sejam educadas, que aprendam corretamente as coisas do Senhor, para que não sejam novamente enganadas por falsas doutrinas.
O último versículo é interessante. Depois de afirmar que a mulher foi enganada, Paulo lembra o leitor que ela será salva pelo “filho da mulher”, que é Jesus. Por isso, não podemos desprezar as mulheres, pois foi por meio de uma mulher que o Messias veio ao mundo.
Assim, seguindo as reflexões de James Cheoung, podemos concluir que um estudo cuidadoso da passagem em questão nos traz um novo panorama sobre a atuação das mulheres na igreja. Quando analisada com calma, a passagem não parece trazer uma proibição de que as mulheres falem nas igrejas e ensinem, mas um encorajamento para que se dediquem ao estudo e aprendam com toda diligência, de modo que não sejam enganadas pelos ventos de doutrinas.
Fotos: Internet
:: DANIEL LOPEZ

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Decisões

Jeremias 17.9
“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? “
            Na maioria das vezes tomamos decisões conforme os nossos sentimentos, sem examinar se realmente estamos certos.
            O texto que lemos nos faz uma advertência, quanto aos nossos sentimentos, quanto aos nossos pensamentos, dizendo que nossos corações são enganosos. Muitas vezes somos enganados por nós mesmos, achamos que a nossa decisão é a melhor. Que as orientações que a Bíblia nos dá, não correspondem ao que queremos.
Quantos casais se separam, por acharem que o amor acabou – sendo que a Bíblia diz em 1 Co 13, que o amor jamais acaba- se separam, pois foram enganados pelo próprio coração. Outros sentem que determinado problema não tem solução, quando na verdade, Deus tem a resposta; e movidos pelo sentimento se desesperam. Outros tomam decisões, achando que, estão agindo certo. Decidem pelas ofertas deste mundo; jovens que decidem pela bebida e pelas drogas; outros que decidem pela fraude e pelo crime, achando que é o melhor caminho.
Mas, veja o que a palavra de Deus nos diz: Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte. (PV 14.12). Há caminhos que parece direito – a pessoa pensa que é a melhor coisa a ser feita- mas está enganada pelo seu coração, enganada pela emoção, pois não percebe que colherá consequências de suas decisões.
            Quantas vezes estamos agindo conforme o nosso desejo, sendo que ele é perigoso. Sendo que, por aquilo que queremos podemos nos distanciar de Deus e encontrar até a morte?
            Antes de tomar qualquer decisão, devemos analisar, se o que estamos querendo é da vontade do Senhor. O que é da vontade do SENHOR- é aquilo que nos aproximará mais de Deus. Mas a decisão errada- é aquela que nos afastará de Deus, nos afastará da oração, da palavra, da casa de Deus.
            Então, nunca haja por impulso, mas verifique se o caminho a ser tomado vai te levar pra perto de Deus, ou vai te afastar, te levando a destruição.
            Então busque em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça- que essa seja a nossa vontade, que seja esse o desejo do nosso coração.
            Há uma orientação para nós na palavra do Senhor, sobre que decisão tomar, sobre que caminho andar. Jo 14.6:Disse Jesus: “ Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao pai a não ser por mim”.

            Que no seu coração haja o desejo de andar por esse caminho, que é o caminho da SALVAÇÃO- JESUS!

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

A Bíblia viva dentro de nós



E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões.
E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito.
E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça.
O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor.
E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o Senhor, e entre os sobreviventes, aqueles que o Senhor chamar. (
Joel 2:28-32)
Tenho, nesse  últimos anos, descoberto uma nova forma de ler a palavra. Quando  lemos a bíblia precisamos compreender que ela apresenta fatos e não fábulas, que é a palavra de Deus, porém mostra Deus revelado e atuante na  história e na de seu povo. A questão relevante que trará diferença em nossa leitura é: “ as manifestações históricas da bíblia podem tornar-se a repetir?” . O que tenho presenciado nesses anos, é que tudo o que está na Bíblia é real e pode acontecer, porque o Deus da bíblia ainda é o mesmo, e ele não nos revelou simplesmente o que ele fez, afim vermos como algo passado, mas o que ele fez para podermos acessar suas manifestações no presente, e saber quem Ele é, e como ele é, e como ele age, pois  Deus procura relacionar-se amorosamente com sua criação. As vezes infantilmente, poderíamos pensar que bastava Deus manifestar-se como antigamente para crermos, mas a questão é que ele escolheu manifestar-se conforme o que ele mostrou nos seus  escritos e nos seus atos bíblicos. Por que? Porque ele quer que nós o procuremos em sua palavra, para que ao encontrarmos, as manifestações dEle se concretizem na vida daqueles que o procuraram,  Eu amo aos que me amam, e os que diligentemente me buscam me acharão”. ( Pv 8,17)   Quando o procuramos em sua palavra, percebemos um Deus que cura o enfermos, um Deus que revela uma nuvem de glória pra manifestar a presença dEle ao seu povo, um Deus que faz tremer o monte pra falar com Israel, um Deus que faz o céu fechar, para que não haja chuva e depois abre o céu e ordena a chuva para mostrar que ele é Deus, é verdade que muitos destes sinais aconteceram por motivos específicos, a fim de manifestá-lo e dar livramentos ao povo de Israel, mas isso não anula o fato de que ele pode mostrar sinais mais intenso em nossas vidas hoje. Cremos que pela palavra de Deus, ele continua curando, pois manifestou sua vontade de curar no filho Jesus, cremos que ele continua agindo poderosamente sobre a face de toda a terra. Porém, ele nos chama a relacionamentos e manifestações que são para íntimos e próximos dele, são sinais da sua glória e da sua presença, são manifestações de seu amor, quando o percebemos diariamente e até podemos ouvir e sentir corporalmente a manifestação da sua glória. Ele não escolheu habitar em templos feitos por mão humanas, mas em templos feitos por suas mãos (at 7.48 e 49; At 2.1-4),mas dentro de seus filhos, os quais receberam sua pessoa o Espírito Santo. Através do sacrifício de Jesus, somos perdoados de nossos pecados, o que nos habilita em sermos seus templos e receber o derramamento do Espírito Santo de Deus, bem como suas manifestações em nós.
O que lemos e ouvimos na palavra pode ser vivido numa dimensão de intimidade dentro de nós, creio que não precisamos esperar o mar se abrir, mas  podemos abrir cadeias com nosso louvor e com nossas orações ( Atos 16.24 a 26). Ou receber  sinais e maravilhas não especificados na bíblia, mas bem reais, como as que Estevão experimentou e operou (At 6.8) , ou ainda sermos agentes de cura, onde a presença e o poder de Deus se manifeste em nossas próprias sombras ou lenços ( At 19.11 a 12) e termos uma alegria que supera qualquer perseguição ou prisão como o apóstolo Paulo. São vários os milagres em Atos, são vários dons dados a igreja, a Bíblia nunca disse que isso cessou, mas afirma que Jesus Cristo é o mesmo ( Hb 13.8) e ele habita no seu corpo que é a igreja. Cristo manifestou nele quem é o Espírito Santo, sendo assim, sabemos quem é o Espírito que habita em nós olhando para Cristo. Viva intensamente o Espírito Santo, não leia a bíblia como algo do passado, mas ela está viva pelo Espírito Santo em você. 
        “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre;
O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.
Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós.”

João 14:16-18



sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

O espírito de dominação


       
  Estranhamente um ministério tão perfeccionista pode não ser perfeito aos olhos de Deus? 
Como igrejas deixam de ser lugares prazerosos e de comunhão para se tornar lugares de competição e parecidas com um campo de concentração? 
            Como muitos lideres, pastores , ministros, apóstolos, evangelistas, deixam de ser usados por Deus e se tornam pequenos generais dentro de suas denominações "reinados". Essas e outras perguntas estão respondidas na bíblia, e esclarecidas pelo pastor Marcos de Souza Borges , em seu livro :Cura e edificação do lider". Tais respostas estaremos trazendo nesse blog nos próximos dias.
Acompanhe  , leia TODO O TEXTO, e compartilhe.

O espírito de dominação – 1º Estudo
Série de estudos sobre o capítulo 6 do livro “Cura e edificação do líder” – de “Marcos de Souza Borges”.

  Síndrome de Diótrefes  

"Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais". Efésios 6:12

Introdução

            Um dos maiores triunfos do Diabo é nos levar a exercer um ministério apenas no plano natural. É fácil constatar que este tem sido um dos ataques mais comuns contra a liderança, onde tantos estão caminhando na força carnal do braço, do intelecto, da tradição, da posição, e até de uma pseudo-unção, inspirados por interesses escusos e motivações reprovadas que se baseiam principalmente nas feridas de uma personalidade, consequentemente instala-se uma concupiscência obstinada de controlar. Esse sopro do Diabo dá origem à um espírito de liderança dominador.
         Este processo tende a acentuar-se através de um exercício de autoridade cada vez mais impositivo, com apelos emocionais, falsas promessas de prosperidade, chantagens espirituais e até ameaças indiretas ou abertas em relação aos, que por uma questão de bom senso, não conseguem engolir a situação.
         A culpa é um dos principais artifícios de MANIPULAÇÃO ao dispor de uma liderança espiritual, onde determinados padrões de submissão e obediência, que descartam a liberdade alheia, são impostos em nome de Deus.
         Por causa da culpa, ou melhor, de uma falsa culpa, a pessoa se sujeita situações absurdas, podendo ficar presa indefinidamente nessas cadeias de manipulação e controle, que enfraquece cada vez mais sua mente, fragiliza a consciência, tornando-a débil, vulnerável e imatura.
         Dessa forma, sutilmente o inimigo penetra e começa a assumir o controle fazendo do líder controlador sua principal marionete para distrair a igreja de seu verdadeiro papel.
         Todo esse esquema destrói a liberdade e traumatiza a vida espiritual das pessoas, fragilizando a igreja. Ao invés de serem impulsionados no seu potencial de liderança, as pessoas são encaixotadas em nome de uma submissão doentia e abusiva.
              Veja bem , o que estamos enfatizando o estilo de liderança de uma pessoa, mas o espírito de liderança que a inspira. O espirito de manipulação e controle numa liderança. Sãos as digitais dessa infiltração satânica.

Instinto de liberdade ou rebeldia?

         Todo ser humano nasceu com um papel de liderança a ser desempenhado e Satanás quer usurpar esse potencial. A liberdade de liderarmos as nossos as vidas segundo a natureza do nosso dom e chamado é uma das mais fortes expressões do propósito divino.
O que na verdade é rebeldia? Normalmente, quando tentamos controlar de maneira imprópria a vida de outras pessoas, a menos que essas pessoas sofram de insegurança, elas resistirão a nossa manipulação.
Controlar de maneira imprópria significa exercer autoridade em detrimento da liberdade da pessoa subordinada. Normalmente, essas pessoas que  resistem ao nosso controle rotulamos de rebeldes. Mas será que isso é realmente rebeldia? Quem na verdade está sendo rebelde? A pessoa que resiste ao controle, ou a pessoa que quer controlar? Vamos ver o que a bíblia ensina sobre rebeldia.
A bíblia nos apresenta Saul como líder que seguiu o caminho da rebelião. A sua história mostra como ele queria controlar o povo e também queria controlar o futuro ,tentando sustentar sua liderança através de manipulação:
24 Então disse Saul a Samuel: Pequei, porquanto tenho transgredido a ordem do Senhor e as tuas palavras; porque temi ao povo, e dei ouvidos à sua voz”. – 1 Sm 15.24
A questão chave é que todas as vezes que queremos manter as pessoas debaixo do nosso controle, perdemos a perspectiva de uma vida de obediência a Deus. Isso na verdade vem da insegurança como Samuel bem discerniu em relação a Saul:
 E disse Samuel: Porventura, sendo tu pequeno aos teus olhos, não foste por cabeça das tribos de Israel? E o Senhor te ungiu rei sobre Israel” 1 Sm 15.17.
Samuel revela que o grande problema de Saul e de muitos lideres controladores é, inferioridade e insegurança. Com intensão de saciar sua insegurança, Saul tenta controlar o povo.  A história de sua liderança é marcada por atitudes de controle, dominação e intimidação que cultivaram sua decadência.
Começa agradando o povo em detrimento de uma ordenação de Deus e termina praticando o terrível absurdo de consultar uma médium feiticeira. Tudo para se sentir no controle! Diante disto, Deus o repreende fortemente, dizendo: Saul o que você fez é iniquidade e explica que rebeldia e feitiçaria são as mesmas coisas. “Pois a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a iniquidade de idolatria” – 1 Sm 15.23.
É importante mencionar que esta palavra foi dirigida a Saul e não ao povo. O que é então a feitiçaria? É basicamente a tentativa de controlar  a vida de um outro ser humano. Este é o conceito de domínio que não devemos exercer. É satânico e só trará perdas e destruições. Deus chama isto de rebelião!
 Portanto, preste bastante atenção nisto: rebelião não é resistir o controle de alguém, mas é a tentativa de controlar outro ser humano! Ou seja, o líder, que ao invés de inspirar, quer controlar o seu povo, é um feiticeiro. Qualquer líder que controla as pessoas está em rebelião contra Deus.
Porque Deus chama o controle de rebelião? Porque o desejo e o propósito natural de Deus é que todo o ser humano, inspirado pelo Espírito Santo, governe o seu destino e a sua vida. Quando você tenta controlar outros, você está em rebeldia com o propósito de Deus.
         Um líder verdadeiro não controla as pessoas,  ele inspira e libera as pessoas. As primeiras palavras de Jesus a seus discípulos foi: “Vinde a mim”, a ultima foi: “ide”. Porém, como nós lideramos? Dizemos “vinde” e depois dizemos “fiquem”. Dizemos você é meu membro, meu povo, minha igreja. Não vá para nenhum outro lugar. Se sair dessa igreja, não será abençoado, coisas horríveis vão acontecer com você.
A questão não é o compromisso, mas a motivação de dominação, e sobre isso precisamos estar em alerta. O líder verdadeiro inspira e envia, não retém para ter um grande número de discípulos debaixo de suas asas.
         O líder verdadeiro não procura títulos, não procura posição, não procura o poder. Sua motivação não é dominar as pessoas . Ele procura oportunidade para servir e desenvolver a visão e a liderança que existe nos outros.

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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

O espírito de dominação - estudo 2

“Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito diz o Senhor”. (Zc 4.6)
Um dos mais elevados princípios de batalha espiritual é entender que o Senhor dos Exércitos proíbe o espírito de controle e dominação. Ele diz não a isto. Isto o entristece. A unção repele a dominação e a dominação repele a unção.
Síndrome de Diótrefes
         “Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que ambiciona dominar, não nos recebe. Pelo que, se eu aí for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas;  e não contente com isto, ele não somente deixa  de receber os irmãos, mas aos que os querem receber ele proíbe de o fazerem e ainda os exclui da igreja”        (3 Jo, vers 9 e 10).
         Esse texto  nos fornece a radiografia de um líder  dominador,   que luta com unhas e dentes para manter o controle.
Diótrefes é um nome grego que significa no literal “educado por Júpiter”, Júpiter, apesar de ser uma entidade do panteão grego, tornou-se  também o supremo deus dos romanos, aonde eles assumiram uma forma dominadora e agressiva, pela qual subjugaram o mundo. E esse comportamento acabou se infiltrando na igreja do terceiro século e se espalhando pelo mundo todo através do catolicismo romano.
         Jesus foi contemporâneo desse domínio romano em seu auge, e revelou o antidoto contra esta toxina espiritual da dominação.
Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas”.
Mateus 5:39-41
O que Jesus está enfatizando aqui, não é uma sujeição ao líderes dominadores, mas uma sujeição ao bem, aos valores do reino de Deus, tendo o domínio próprio e a força moral de não agir no mesmo espírito de agressão, manipulação e desrespeito. Ou seja, não se contaminam com a violência através da amargura e da vingança.
         Quem são os Diótrrefes?
1-    São aqueles que ambicionam dominar.
Uma outra tradução diz: “gosta de ter entre eles a primazia”. Usam a liderança não para servir, mas para dominar outros e manipulá-los com interesses particulares, usando para isto pretextos espirituais bem convincentes.

2-    São aqueles que não recebem líderes que para eles significam uma ameaça.
Se fecham para outros líderes simplesmente porque eles tem pensamentos e opiniões diferentes. Sentem-se ameaçados por outros líderes e companheiros de ministério que podem significar algum tipo de perda pessoal ou confrontação espiritual para a sua vida e ministério.
São pessoas que não tem uma visão da igreja como corpo de Cristo. Não pensam em termos de ganhos para o Reino de Deus, mas no fundo, estão criando um “imperiozinho” para si mesmos. São como os agricultores da parábola contada por Jesus, que se apropriaram indevidamente da vinha do seu patrão, matando os enviados dele e até mesmo o próprio filho.

3-    São aquele que proferem palavras maliciosas
Buscam  falsos argumentos para desacreditar  e difamar as pessoas que de alguma forma significam uma ameaça à sua posição, ou à sua doutrina, ou à sua visão, ou à sua denominação, etc. Não estão edificando, mas destruindo pela maledicência o corpo de Cristo. Edificam a si próprios destruindo os outros.
4-    São aqueles que proíbem os irmãos da igreja de receber ou visitar pessoas com quem eles estão ressentidos ou tem alguma reserva.
Proíbem pessoas de receberem de outras fontes por motivos injustificáveis, senão pela in segurança que possuem. Existe um partidarismo claro e aberto.
5-    São aqueles que boicotam os membros que não rezam sua cartilha
Se sentem no direito de retalhar ou até excluir pessoas  que não concordam com suas restrições amarguradas ou impositivas. Não há tolerância ou disposição para conversar. Investem em seu grupinho de pessoas que se submetem cegamente, mas boicotam ou excluem aqueles que os questionam.
        


 Retirado do livro "Cura e Edificação do Líder" , escrito pelo Pr Marcos de Souza Borges.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

O espirito de dominação - estudo 3

  Baseado no livro"Cura e edificação do líder" , escrito pelo pastor Marcos de Souza Borges.
Características do espírito de dominação e controle    ( 1a parte)

    1 -Luta por posição

A primeira característica de quem carrega o espírito de dominação e controle é uma estima exagerada por títulos e posições. Valoriza-se o esforço próprio e conquistas pessoais acima da aprovação divina. A pessoa faz questão de ser chamada e reconhecida por um título que a faz sentir-se superior. É dominada por uma concupiscência de reconhecimento, fazendo questão que as pessoas não deixem de chamá-la pelo título.
         Um exercício legítimo da autoridade espiritual traz a unção, que por sua vez, no tempo certo proporciona a posição adequada. Em contra- partida, um título humano, um diploma, por si mesmos, isolados de uma consciência da presença de Deus não tem significado espiritual. A promoção humana pode nos levar a dominação, mas não unção.  Aí entram as estratégias de politicagem para conseguir uma posição ou um título, mesmo que não se tenha unção para tal função.

           2 - Cobiça e ostentação
Esse ponto é uma consequência do primeiro. Pessoas que lutam por posição, idolatram o poder e ao mesmo tempo quando o conseguem, sentem uma forte necessidade de ostentar esse poder. De alguma forma tentam impressionar, convencer, chamar a atenção para si mesmos através de artifícios de sofisticação.
“E Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo, lhes ofereceu dinheiro,
Dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu puser as mãos receba o Espírito Santo.
Mas disse-lhe Pedro: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro.
Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é reto diante de Deus.
Arrepende-te, pois, dessa tua iniquidade, e ora a Deus, para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração;
Pois vejo que estás em fel de amargura, e em laço de iniquidade.”
Atos 8:18-23
Aqui vemos um homem tentando negociar o poder de Deus. Quando Simão viu  o que os apóstolos faziam, imediatamente, como mágico que era, ele cobiçou aquele poder. Um mágico , antes de encantar os outros, é alguém encantado ou enfeitiçado pelo poder.
O grande segredo de uma mensagem mágica é falar o que as pessoas querem ouvir. Quanto mais uma mensagem é cheia de privilégios e vazia de responsabilidades, maior será o seu pseudo-sucesso.
Simão ofereceu dinheiro a Pedro, porque sabia que com aquele dom, teria um incomparável retorno financeiro. Aqui temos uma outra característica desse espirito de controle. Todo líder controlador tem sérios problemas com o dinheiro. São gananciosos ou esbanjadores, ou ainda fingem ser pobres ou desprendidos afim de obter favores e lucros. Muitos fazem questão de ostentar suas poses e sentem prazer quando conseguem colecionar a inveja de outros pro aquilo que eles tem, seja materialmente, ou espiritualmente.
Infelizmente existem muitos “Simãos”, como Pedro disse, pessoas presas nestes laços de iniquidade, querendo se promover, ou até mesmo obter lucros através da graça de Deus, buscando um caminho largo e fácil para obter posições, títulos e o tão almejado poder. Essa preocupação crônica com o reconhecimento humano independente da aprovação divina caracteriza francamente  um líder dominador.

 3) Incentiva a lei das obras e a competição
Temos em palco um estilo humanista de liderança, vinculado ao ceticismo espiritual. Não há muito espaço para a intercessão ou para o ministério profético, que podem ser interpretados como aberrações. Pessoas que se fiam em seu carisma ou na força de sua personalidade, na sua capacidade humana de engendrar relacionamentos, na sua persuasão , na sua desenvoltura natural de resolver problemas, na sua experiência de trabalho, enfim recursos pessoais e capacidades humanas. Obviamente todas essas coisas são boas e necessárias , mas quando idolatradas tornam-se pedra de tropeço.
Não se deleita na força do cavalo, nem se compraz nas pernas do homem.O Senhor se agrada dos que o temem e dos que esperam na sua misericórdia. Salmos 147:10,11

Uma pessoa dominadora, está sempre tentando convencer os outros que merece determinada posição ou situação privilegiada. Advoga sempre em causa própria. Por isso torna intrinsecamente competidora. Aí  onde as portas se abrem para  o espírito de engano e superioridade adentrarem a vida do líder e  no ministério,  formando equipes que competem entre si dentro de uma mesma igreja, assim como o líder é competitivo . Perde-se de vista que temos um inimigo comum, e começamos a competir entre si, é o engano no corpo de Cristo. Nascem discordâncias, opiniões se conflitam ,relacionamentos entre os líderes se desgastam, nutrindo um implacável processo de divisão e destruição.  Surge então grandes divisões na igreja.




domingo, 17 de dezembro de 2017

O espírito de dominação - estudo 4


Egocentrismo e centralização

         Uma pessoa dominadora tem a estranha necessidade de ser vista e reconhecida como a mais importante, precisa estar continuamente sentindo-se na posição de maior destaque tendo a primazia. Não tolera que ninguém desponte mais que ela. Isto pode incomoda-la ao ponto de inibir o crescimento e a atuação de outros. Ela condiciona a autoridade e o ministério de pessoas a aprovação dela.
          Saul nos mostra um exemplo bem característico de uma liderança centralizadora. Uma das principais inspirações da dominação é a inveja. A Bíblia revela o conflito de Saul por causa do sucesso de Davi:
E as mulheres dançando e cantando se respondiam umas às outras, dizendo: Saul feriu os seus milhares, porém, Davi os seus dez milhares.
Então Saul se indignou muito, e aquela palavra pareceu mal aos seus olhos, e disse: Dez milhares deram a Davi, e a mim somente milhares; na verdade, que lhe falta, senão só o reino?
E, desde aquele dia em diante, Saul tinha Davi em suspeita.
1 Samuel 18:7-9
         Veja bem que Davi passou a ser perseguido por Saul, não por uma deslealdade, mas simplesmente pelo seu excelente desempenho. Isto o transforma numa ameaça. O rei deixou de ser o centro das atenções.  Isto bastou para que ele tentasse de todas as maneiras eliminar o ministério de Davi, chegando ao extremo de planejar sua morte. Aqui percebemos como o ciúme pode tornar-se doentio e implacável.
         O líder centralizador cria uma obrigação das pessoas com ele, a ponto de roubar a liberdade dos subordinados. Condiciona as decisões dos outros à sua aprovação  e interesses. Nenhum detalhe pode escapar ao seu controle. Normalmente estes lideres acabam estressados. Este é o alto preço para conseguir ser o centro.
         Um líder pode fazer duas coisas com sua autoridade: delegá-la ou monopolizá-la. Delegando, estará investindo no potencial de liderança das pessoas subordinadas a ele, acelerando o processo de discipulado e produzindo novos líderes que possibilitarão um crescimento seguro. Monopolizando, atrofia o crescimento das pessoas e aprisiona seus dons, restringindo o crescimento do reino de Deus.
         O monopólio da autoridade é um comportamento da anti-liderança que conspira contra o governo divino. Presidir não é reter, mas investir responsavelmente em outros delegando autoridade.

Deus te abençoe.

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